quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Enquanto isto os EX-servidores de FUGAST continuam sem seus direitos!!!

As eleições municipais de 2012 vão ser realizadas nos dias 7 e 28 de outubro. A decisão das datas do primeiro e segundo turno foi tomada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No ano que vem os eleitores vão escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos mais de 5.500 municípios brasileiros.

Os partidos que quiserem participar da eleição do ano que vem precisam estar registrados no TSE até dia 7 de outubro de 2011. O prazo é o mesmo para que os candidatos estejam filiados a algum partido político.

Os eleitores têm até dia 9 de maio de 2012 para transferir o título de eleitor ou fazer a inscrição na justiça eleitoral.


Segundo o TSE, as convenções partidárias para a escolha dos candidatos devem ser feitas entre 10 e 30 de junho. Os candidatos terão até dia 5 de julho para registrar as candidaturas no TSE.

A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa no dia 21 de agosto e vai até dia 4 de outubro, três dias antes da realização do primeiro turno.








Tarso,

Buzatto,

Fortunati...


Tantos que NÃO devemos esquecer!!!

Um treino de espada especial

A lição da grama



Como a propriedade havia ficado fechada durante alguns meses, os jardins da casa que alugamos para ser a nossa sede encontravam-se num estado de “abandono”. A grama estava bastante alta e nós ainda não temos máquina de cortar grama. Precisávamos encontrar uma solução.

Um dos praticantes da nossa Sanga, o Mestre de Hapkidô (4º dan) e postulante de monge Giovani (Centro de Cultura Oriental Tigre Coreano) lembrou de suas experiências pessoais e resolveu convidar dois alunos de Espada Coreana (Haedong Kumdo) para um treino especial – treinando o “corte” na nossa grama.

Ele explicou a parte técnica aos alunos e a Monja Isshin explicou o aspecto “sutil”, do cultivo da sensibilidade para “sentir” profundamente e tornar-se um com a grama e a ferramenta: “sentir” a grama, “explicando” como a grama “queria” ser cortada, e “sentir” a ferramenta, “explicando” como a ferramenta “queria” ser usada.

Foi interessante observar o desenvolvimento deles, durante aquele breve período de tempo. Inicialmente, eles “lutavam” com a grama e com as ferramentas. Parecia que a grama “resistia” ser cortada e que as ferramentas estavam “cegas”. Mas ficava bem nítido a cada instante quando eles conseguiam se harmonizar com a atividade – os movimentos, as ferramentas, a grama. Nestes instantes, quase que parecia que a grama caía por si mesma, de tão leve ficava a passada da lâmina.

Aos poucos, os instantes de “acerto” ficaram mais freqüentes que os instantes de “erro”, até que uma boa parte da grama foi cortada e chegou a hora do zazen.

Terminado o treino com a grama, praticaram o zazen. O dia finalizou-se com chá e bate-papo sobre a experiência.

Segue o depoiamento dos dois alunos:



Treino Especial em Contato com a Natureza
 

por Roger M. Cruz e Matheus F. Luz.
“Quando um mestre, um professor de arte marcial, propõe algum desafio, é porque ele confia em você, sabe da sua capacidade de vencer e principalmente da sua capacidade de aprender com esse desafio.
Recebemos um desafio: cortar grama. Com máquina? Não, com facas e as técnicas de cortes aprendidas no Haedong Kumdo.
Ando lendo a respeito das diferenças culturais entre os lados ditos oriental e ocidental do planeta. O que, para nós ocidentais, pode parecer um castigo, (alguns até entenderiam como humilhante) na realidade muito nos honrou.
No começo foi difícil ouvir: ouvir a si mesmo – ok. Ouvir a grama – acho que consigo. Ouvir a lâmina – a lâmina? Sim, a lâmina! Cortar, nesse caso, não era simplesmente apresentar a faca ou a foice à vegetação, pois quando se passa a compreender os elementos e todo o movimento flui de maneira harmoniosa, a lâmina até parece mais afiada.
O nível de concentração, nesse momento, é tamanho que não se nota o tempo passar, se faz frio ou calor, e se está chovendo ou fazendo sol. Por uma tarde, só o que acontecia ali era o facão, a grama e a técnica.
A lição que fica é a da paciência. Compreendemos que tudo deve fluir a seu tempo, do mesmo jeito que não adiantava ter pressa para cortar e terminar rápido o “serviço”. O aprendizado de nossas técnicas, e de tudo na verdade, flui da mesma maneira.
Ao cortar rápido a grama, nos cansávamos mais, nos machucávamos e não fazíamos direito, pecando nos detalhes do acabamento.
Ao aprendermos uma técnica nova, se tivermos pressa e não deixamos o aprendizado fluir naturalmente de acordo com nossa capacidade, podemos até aprender os movimentos, mas deixamos de lado pequenos detalhes que fazem toda diferença no final.
Concluindo: na vida também devemos ter essa paciência e deixar as coisas fluírem a seu fluxo natural.
Após o treino passamos a sentir mais a natureza e as coisas ao nosso redor. Este é o legado que levamos…
Claro que as dores musculares de quem não está acostumado com essa “lida campeira”, por assim dizer, vieram no dia seguinte, mas isso é assunto para outro momento. Mesmo assim, que aprendizado valioso!”



Palestra sobre o pensamento do jovem Kitaro Nishida


Filmagem da Palestra “As origens da filosofia da modernidade japonesa. uma análise da obra do jovem Kitaro Nishida”, ministrada pelo Rev. Prof. Joaquim Monteiro no dia 11 de agosto de 2011 no Dojô Porto Alegre Aikikai da Associação RS Aikikai (Porto Alegre, RS), como apresentação do Curso Fundamentos do Budismo Japonês, que se inicie no dia 17 de agosto.

Futuramente, este curso estará disponível como curso on-line (pago), junto com os outros módulos anteriores. Pessoas interessadas podem nos enviar mensagem por e-mail para receber informações quando lançamos estes cursos.

- ler detalhes sobre a palestra

- fazer download do Um Estudo sobre o Bem (Zen no Kenkyu): Parte I – Capítulo 1

- fazer download de Um Estudo sobre o Bem (Zen no Kenkyu): Parte II – Capítulo 10

Parte 1 (ou assistir no Vimeo em widescreen):
- Assistir à Parte 2

sábado, 27 de agosto de 2011

Direito de greve foi garantido



Mesmo com todas as tentativas do secretário municipal da Saúde de desconstituir a greve dos servidores municipais, estaduais e federais que atuam na rede de saúde pública da Prefeitura de Porto Alegre, a mobilização da categoria continua forte. Em todos os espaços de imprensa, o Simpa rebate as mentiras espalhadas pelos representantes do governo. Uma ação desesperada para encobrir a falta de um projeto de gestão para a Saúde na Capital.


Ontem (25), em assembleia geral unificada, os servidores reforçaram a continuidade da luta pela regulamentação e extensão das 30 horas para todos e também exigiram que o prefeito Fortunati assumisse a negociação com os trabalhadores.


Quanto ao pedido de ilegalidade da greve, movido pelo secretário da SMS, o mesmo não foi aceito pela Justiça. A liminar com o despacho ainda não foi entregue ao Sindicato, mas parte do conteúdo divulgado na imprensa apenas reforça o compromisso já assumido pelos servidores desde o início da greve: de manter o atendimento de urgência e emergência funcionando. Também lembramos que não há motivo para a falta de médicos nos postos, visto que os mesmos não fazem parte da mobilização.


O Sindicato segue conduzindo o calendário de mobilização e também acompanha as manifestações públicas da administração municipal, procurando garantir a posição da categoria e reforçar o objetivo da nossa luta.



Calendário de mobilização definido na assembleia:



27/8 (sábado)


9h – Concentração para Ato Público no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (Rua Manoel Lobato, 151 - Vila Cruzeiro).


28/8 (domingo)


9h – Chimarrão no Brique da Redenção.


29/8 (segunda)


9h – Instalação do Piquete Farroupilha da Greve, no Paço Municipal (durante todo o dia).


30/8 (terça)


9h – Concentração para Ato Público, no Paço Municipal.


14h – Assembleia Geral Unificada no salão do Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 - 4º andar).

Prefeitura anuncia medidas contra a greve da saúde Francielle Caetano/PMPA/Divulgação/JC


Casartelli: 'Temos casos de falta da equipe de enfermagem, e até de posto fechado'.

Os secretários municipais da Saúde (SMS), Carlos Henrique Casartelli, e da Governança Local, Cezar Busatto, anunciaram na tarde desta sexta-feira, (26), que os servidores da saúde do município que não estão trabalhando, em função da greve, terão os dias descontados na folha salarial de agosto. Na ocasião também foi divulgada a lista dos serviços de saúde que não estão funcionando integralmente como determina decisão judicial. As informações foram repassadas em coletiva de imprensa na sede da SMS.



De acordo com Casartelli, a paralisação de parcela dos servidores tem causado prejuízos ao atendimento da população, especialmente nas Unidas Básicas de Saúde. “Temos casos de falta da equipe de enfermagem, e até de posto fechado”, destacou o secretário, ao falar da recomendação do Ministério Público de que a prefeitura adote todas as medidas necessárias para garantir o atendimento a esse serviço.



Paralelamente, a Justiça determinou que o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) assegure que todos os funcionários dos serviços de urgência e emergência da Saúde da Capital estejam trabalhando, garantindo todo o atendimento da população. E, também que os outros serviços de saúde funcionem na sua integralidade, com no mínimo, 50% do efetivo de funcionários.



Busatto salientou que a prefeitura tem demonstrado em recentes negociações com os servidores municipais o compromisso e a disposição ao diálogo com a categoria.“Há menos de três meses, foram concedidos inúmeros benefícios que englobam este e o próximo ano”, declarou o secretário ao falar do reajuste concedido a todo o funcionalismo (8,16%), da reposição integral da inflação do período 2011 a 2012, da implantação do Ipergs/Saúde, do reajuste de 8,33% no vale-alimentação, do pagamento de progressões retroativas, da reformulação do Plano de Carreira e da equiparação do salário básico ao mínimo nacional.





COMENTÁRIOS


Adriana - 26/08/2011 - 23h43


E dizem que vivemos em uma democracia!!!Se eu não lutar pelo que acredito quem vai lutar por mim?Os políticos que não vão ser...agora só falta um espacinho na mídia para mostrar para todos o que realmente acontece, nada começou há pouco tempo, plano de carreira já tentamos negociar faz tempo , por que descriminação entre colegas médicos e não médicos???É são tantas perguntas....



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Gisele - 27/08/2011 - 09h41


O prefeito, no auto de sus "gestão participativa", deixa na gaveta um plano de carreira proposto pelo Conselho Municipal de Saúde em agosto de 2010 até agora, não apresenta proposta alguma para os trabalharodes da saúde,e institui um plano de carreira para apenas uma categoria, os médicos, institui carga horária para os mesmos de 4 horas por dia e exige que os demais trabalhadores façam carga horária de 8 horas diárias. A carga horária de 6 horas diárias ou 30 horas semanais é uma conquista de mais de 20 anos entre os trabalhadores. Por que mudar isso agora? Todas as demandas da população, serão resolvidas com esta prerrogativa governamental?





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helen - 27/08/2011 - 10h59


Se houve acordo para os médicos, sem prejuízo no salario porque não há acordo para as outras classes?Abram espaço para os servidores também, não só para a prefeitura, onde está a democracia?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Greve pelas 30 horas: Servidores da Saúde conquistam apoio da Câmara




A greve dos servidores municipais, estaduais e federais que atuam na rede de saúde pública da Prefeitura de Porto Alegre, iniciada nesta terça-feira, obteve cerca de 80% de adesão dos municipários e o compromisso do Poder Legislativo, de interceder na regulamentação da jornada de 30 horas para todos.

Servidores da Saúde da Capital em greve pelas 30h Enquanto parte da categoria participava de ato público no Paço Municipal, um grupo de diretores do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA), servidores e representantes dos demais sindicatos que integram o comando de mobilização, participaram da reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara Municipal, que contou com a presença do secretário municipal da Saúde. Por encaminhamento do presidente da Comissão, vereador Thiago Duarte, a Cosmam irá solicitar a suspensão temporária do novo regime jurídico, bem como a implantação do ponto eletrônico nas unidades de saúde. A ideia é que, em seis meses, o Executivo envie ao Legislativo um plano de carreira definitivo para o conjunto do funcionalismo do setor da saúde, a exemplo do que já ocorreu com os médicos.


No período da tarde, uma Assembleia Popular realizada em frente à Prefeitura discutiu os problemas da Saúde na Capital. Representantes de diversos setores manifestaram o apoio ao movimento de greve. A presidente do Conselho Municipal da Saúde, Maria Letícia Oliveira Garcia, lembrou que a jornada de 30h como forma de manter a qualidade do atendimento à população foi aprovada em todas as conferências da saúde (municipal, estadual e federal) e que o assunto também é discutido pelo CMS junto com o Ministério Público.


A decisão dos servidores, de paralisar as atividades até a conquista da regulamentação e extensão das 30 horas para todos, sem redução de salário, foi aprovada na assembleia geral unificada, realizada no dia 17 de agosto. Uma nova assembleia, marcada para o dia 25 (quinta-feira), às 14h, no salão do Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 - 4º andar), avaliará a continuidade da mobilização.










Calendário de mobilização:


24/8 – Quarta-feira


9h - Concentração para Ato Público em frente à SMS


Após, saída em caminhada até o Paço Municipal


25/8 – Quinta-feira


9h - Concentração para Ato Público no Paço Municipal


14h – Assembleia Geral Unificada, no salão do Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 - 4º andar)











Enquanto isto a Prefeitura ameaça de cortar ponto dos grevistas da área da Saúde.


Procuradoria-Geral da Capital pode entrar com ação para declarar ilegalidade da greve.



O secretário municipal de Governança Local, Cezar Busatto, deixou claro, nesta terça-feira, que a Prefeitura de Porto Alegre não trabalha com a hipótese de implantar, em um plano de carreira, a carga horária de 30 horas semanais para os servidores da área da Saúde. Segundo ele, a greve é incompreensível, já que o dissídio dos municipários foi acertado recentemente. Busatto adiantou que a administração está registando as faltas e vai descontar os dias parados do salário dos servidores.

APESAR DESTE MESMO SENHOR JA TER DADO AS 20 HORAS PARA OS MÉDICOS.

A Procuradoria-Geral do Município pode ingressar com uma ação ordinária para que a Justiça declare em caráter liminar a ilegalidade da greve EMBORA A PREFEITURA AFIRME QUE OS 30 % DE ATENDIMENTO LEGAL TENHA SIDO MANTIDO. No início da tarde, as promotoras de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos Angela Salton Rotunno e Marinês Assmann recomendaram que a Secretaria da Saúde assegure o atendimento médico durante a greve entrando, inclusive, com uma ação de inconstitucionalidade, se necessário.



Busatto lembrou, ainda, que o movimento coincide com a entrada em vigor do ponto eletrônico. Para o secretário, o Sindicato dos Municipários está radicalizando para reduzir a carga horária dos profissionais, trazendo um prejuízo direto à população. O diretor-geral do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Mário Fernando da Silva, negou à Rádio Guaíba que a categoria seja contrária à instalação do ponto. Ele salientou que a principal reivindicação dos trabalhadores é a carga horária de 30 horas sem alteração salarial. Conforme Silva, é a carga ideal para que seja prestado um bom atendimento à população.



Nessa tarde, o secretário municipal da Saúde, Carlos Casarttelli, entregou à presidente da Câmara de Vereadores, Sofia Cavedon, o projeto que garante gratificação para os servidores que trabalhem mais de 30 horas por semana. Para os servidores da rede de atenção primária em saúde e centros de especialidades e vigilância sanitária, o índice é de 50% sobre o vencimento básico. Já os servidores da gestão da Secretaria receberão uma gratificação de 100%. Em relação à greve dos servidores, Casarttelli disse que o movimento é parcial e até o momento não trouxe prejuízos significativos ao atendimento da população.



Durante a tarde, a maioria dos Pronto-Atendimentos (PA) de Porto Alegre se manteve aberta, mas para o atendimento apenas de casos de urgência e emergência, em razão da greve. Nos postos abertos, o mínimo de 30% do quadro de profissionais em atividade, exigido por lei, foi cumprido. No PA da Vila Cruzeiro, foram registrados até às 16h cerca de 15 casos de pacientes graves. No Postão do IAPI, a Farmácia do SUS voltou a funcionar, mas os demais serviços do posto, como consultas e atendimento odontológico, se mantiveram suspensos.



Os servidores municipais, estaduais e federais que atuam na rede de saúde pública da Prefeitura de Porto Alegre decidiram hoje (17), em assembleia geral unificada, entrar em greve a partir das zero hora do dia 23 de agosto. Os trabalhadores reafirmaram a luta pela regulamentação e extensão das 30 horas para todos, sem redução de salário.

Após a assembleia, foi realizada caminhada da Igreja Pompéia, local da reunião, até o Paço Municipal, para entregar ao governo a decisão dos servidores.

domingo, 21 de agosto de 2011


Programação das atividades deste próximo final de semana da Sanga Jisui Zendô


Venha praticar conosco!
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Sanga Águas da Compaixão
Jisui Zendô - Comunidade Zendo Sul

Programação das atividades deste próximo final de semana daSanga Águas da Compaixão

Sábado, dia 20
16:30 hs - início da Prática Regular (aberto a todos)
18:00 hs - Palestra do Darma - A Prática Zen (Sutras Budistas: Sutra do Diamante, um dos sutras mais importantes na nossa tradição) - Prof. Monteiro - aberto a todos - (doação sugerida: R$ 20 não-associados/não cotistas / R$ 10 associados/cotistas)

Domingo, dia 21
16:30 hs - início da Prática Regular (aberto a todos)

A programação das atividades na casa-sede durante a semana está listada abaixo, antes da listagem da previsão da programação mensal.

Local: Jisui Zendô - casa-sede da Sanga Águas da Compaixão - R. Eliziário Goulart da Silva, 93 - Bairro Cristo Redentor (atrás do Hospital Cristo Redentor)
Ver as mãos das ruas para chegar de carro no Google Maps

Já estão disponíveis os convites para o próximo Almoço Beneficiente CozinhaZen, que será no dia 28 agosto (domingo - aberto a todos - convite: R$ 25)

Para os plantonistas da Sanga:
- o próximo Zazenkai de Um Dia está previsto para sábado, dia 27 de agosto
- a próxima aula de Baika está prevista para domingo, 28 de agosto

Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.

Sangas Aikikai e Energia Harmoniosa - atividades 
regulares nas 3as e 5as, abertas a todos.
Nesta quinta-feira, dia 18, na Sangas Aikikaiteremos o início do curso Fundamentos do Budismo Japonês, com o Professor Monteiro.

Nota: No caso das práticas da Sanga Aikikai, recomenda-se que estacionam os seus carros no estacionamento do Shopping Total ou no estacionamento pago que fica em frente da Aikikai.

Cuidem-se bem!
Gassho,
Isshin


Próximas Atividades Especiais:
1) 27 agosto (sábado) - Zazenkai de Um Dia - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas)/ R$ 30 (associados/cotistas)
2) 28 agosto (domingo) - Almoço Beneficiente CozinhaZen (aberto a todos - convite: R$ 25)
Nota 1: Vamos procurar acertar a visita do Monge Kijun (filho do meu professor de Transmissão de Darma, Onoda Roshi) para o mês de setembro, antes da minha viagem para o Japão.
Nota 2: O professor-mestre de baika que estava escalado para vir em junho sofreu danos nos desastres (terremoto/tsunami) e precisou cancelar a sua viagem. Ficou acertado que outros professores-mestre virão em novembro. Sugeri os dias 4 e 5 para a visita ao nosso grupo.

Atividades na casa-sede durante a semana: 
3as feiras: 09:30 hs - Zazen e Leitura de Sutra (aberto a todos)
4as feiras: 07:30 hs - Zazen e Serviço Matinal (aberto a todos)
4as feiras: 19:30 hs - Introdução ao Zen / 20 hs - Zazen (aberta a todos)
5as feiras: 07:30 hs - Zazen, Serviço Matinal e Café da Manhã (aberto a todos)
6as feiras: 07:30 hs - Zazen, Serviço Matinal e Café da Manhã (aberto a todos)
6as feiras: 19:30 hs - Palestra para Iniciantes (aberta a todos)

Previsão Mensal:
1o. Sábado do mês, 14:00 hs - Fukudenkai (Costura Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)
1o. Sábado do mês, 18:00 hs - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - somente Membros-Praticantes
2o. Sábado do mês, 18:00 hs - ArteZen (com projetor tipo Datashow) (aberto a todos)
2o. Domingo do mês, 14:00 hs - Curso dos Preceitos, turma 2009 (grupo fechado)
3o. Sãbado do mês, 18:00 hs - Palestra do Darma - A Prática Zen (Sutras Budistas: Sutra do Diamante, um dos sutras mais importantes na nossa tradição) - Prof. Monteiro - aberto a todos - (doação sugerida: R$ 20 não-associados/não cotistas / R$ 10 associados/cotistas)
4o. Sábado do mês impar, 17:00 hs - Mini-Zazenkai - aberto a todos, doação sugerida: R$ 20 (não-associados/não cotistas)
4o. Sábado do mês par, 09:00 hs -  Zazenkai de Um Dia - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas)/ R$ 30 (associados/cotistas)
4o. Domingo do mês, 14:00 hs - Baika (Música Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)
4o. Domingo do mês impar - Zazenkai de Um Dia (com início no Mini-Zazenkai de sábado com pernoite) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas, para a parte de Domingo)/ R$ 30 (associados/cotistas para a parte de Domingo)

Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.


http://monjaisshin.wordpress.com/
http://aguasdacompaixao.wordpress.com/
http://zendovirtual.wordpress.com/
http://interconexao.wordpress.com/
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A paz começa com cada um de nós - aqui, agora.
Peace begins with each of us - right here, right now.
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Email do O diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, o Simpa, João Ezequiel:


Colegas da Fugast;
Muitos tem me ligado ou enviado e-mail's questinando sobre o pagamento das rescisões, peço desculpas por não ter retornado imediatamente, mas as as vezes sou atropelado pelas demandas, que parecem nunca ter fim.


Pois bem;


Ontem, após vários contatos e trativas junto a promotoria que cuida do "Caso Fugast", que fique claro contatos realizados pela Dra Samara, esta ja cansada da embromação resolveu elaborar documento oficial assinado por nossos sindicatos, solicitando reunião urgente com o Ministério Público do Trabalho, no sentido de cobrarmos maior agilidade no pagamento das rescisões, visto que o projeto (aprovado e sancionado) já está em vigor, ou seja, já tem data hábil para execução.


Não devemos pensar, contudo, que o MPT esteja contra nós, até que provem o contrário, esta instituição é nossa aliada na pressão junto ao Estado para que todos os colegas da Fugast recebam o que lhes é de direito.


Esperaremos reposta desta instituição, na crença de que a promotoria pública, fará jus a sua histórica reputação de defender o bem social e comum.



Um grande abraço. João Ezequiel, joaoezequiel@gmail.com, Simpa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A descoberta do Cosmos, parte 1






Texto de Werner Jaeger em "Paidéia” (Ed. Martins Fontes), tradução de Artur M. Parreira – Trechos das pgs. 201 a 204. Os comentários ao final são deste "moçoilo".



A ideia de Sólon é esta: a dike [1] não depende dos decretos da justiça terrena e humana nem resulta da simples intervenção externa de um decreto da justiça divina, como sucedia na antiga religião de Hesíodo. É imanente ao próprio acontecer, no qual se realiza para cada caso a compensação das desigualdades. Portanto, a sua inexorabilidade é o “castigo de Zeus”, a “paga dos deuses”. Anaximandro vai muito além. Esta compensação eterna não se realiza só na vida humana, mas também no mundo inteiro, na totalidade dos seres. A evidência deste processo e a sua imanência na esfera humana levam-no a pensar que as coisas da natureza, com todas as suas forças e oposições, também se encontram submetidas a uma ordem de justiça imanente e que a sua ascensão e sua decadência se realizam de acordo com essa ordem [2].



Nesta forma – se a encararmos do ponto de vista moderno – parece esboçar-se a ideia prodigiosa de uma legalidade universal da natureza. Mas não se trata de uma simples uniformidade do fluxo causal, no sentido abstrato de nossa ciência atual. O que Anaximandro formula com as suas palavras é mais uma norma universal do que uma lei da natureza no sentido moderno. O conhecimento desta norma do acontecer da natureza tem um sentido religioso imediato [3]. Não é uma simples descrição de fatos, mas uma justificação da natureza do mundo. O mundo revela-se como um cosmos, isto é, como uma comunidade jurídica das coisas. Elas afirmam o seu sentido na incessante e inexorável geração e corrupção, quer dizer, naquilo que a existência tem de mais incompreensível e insuportável para as aspirações da vida do homem ingênuo. Não sabemos se o próprio Anaximandro empregou nesse sentido a palavra cosmos. No seu sucessor Anaxímenes já a encontramos, se é autêntico o fragmento que se atribui a ele.



esta ruptura representa a aparição de uma nova concepção da divindade do serMas, em princípio, a ideia de cosmos encontra-se – embora sem o sentido rigoroso que teve mais tarde – na concepção de um acontecer natural governado pela dike eterna, de Anaximandro. Temos, portanto, o direito de caracterizar a concepção do mundo de Anaximandro como a íntima descoberta do cosmos. Esta descoberta não se podia fazer senão no fundo da alma humana. Nada se teria podido fazer com telescópios, observatórios ou qualquer outro tipo de investigação empírica. Foi da mesma faculdade intuitiva que brotou a ideia de infinidade dos mundos, atribuída a Anaximandro pela tradição [4]. Sem dúvida alguma, a ideia filosófica do cosmos representou uma ruptura com as representações religiosas habituais. Mas esta ruptura representa a aparição de uma nova concepção da divindade do ser, no meio do horror da fugacidade e da destruição, que tanto impressionou as novas gerações, como mostram os poetas.



É neste estado de espírito que reside a semente de incontáveis desenvolvimentos filosóficos. O conceito de cosmos constituiu até os nossos dias umas das categorias essenciais de toda concepção do mundo, embora nas modernas interpretações científicas tenha gradualmente perdido o sentido metafísico original [5]. A ideia do cosmos mostra, com simbólica evidência, a importância da primitiva filosofia natural para a formação do homem grego. Assim como em Sólon o conceito ético-jurídico da responsabilidade deriva de teodicéia para a epopeia, também em Anaximandro a justiça do mundo recorda que o conceito grego de causa, fundamental para o novo pensamento, coincidia originalmente com o conceito de culpa e foi transferido da imputação jurídica à causalidade física. Esta transposição espiritual está ligada a transposição análoga dos conceitos de cosmos, dike e tisis, originários da vida jurídica, para o acontecer natural [6].



O fragmento de Anaximandro permite-nos obter uma visão profunda do desenvolvimento do problema da causalidade a partir do problema teológico. A sua Dike é o princípio do processo de projeção da polis no universo. É certo que nos pensadores jônicos não encontramos uma transposição expressa da ordenação do mundo e da vida do Homem para o ser das coisas não humanas. Não podia acontecer isso, porque as suas investigações prescindiam totalmente das coisas humanas e visavam exclusivamente a determinação do fundamento eterno das coisas. Mas, dado que se serviram da ordem da existência humana para tirar conclusões a propósito da physis e sua interpretação, a sua concepção continha em germe, desde o início, uma futura e nova harmonia entre o ser eterno e o mundo da vida humana com os seus valores.



Pitágoras de Samos foi também um pensador jônico, embora a sua ação se tenha desenrolado na Itália meridional. É difícil determinar o seu tipo espiritual e a sua personalidade histórica. A sua figura tradicional mudou com a evolução da cultura grega. Assim, ele nos foi apresentado como descobridor científico, político, educador, fundador de uma ordem ou de uma religião e como taumaturgo [...] Comparada com a grandiosa plenitude espiritual de Anaximandro, a união em Pitágoras de elementos tão heterogêneos, seja qual for a ideia que nós formemos desta mistura, é, efetivamente, coisa singular e acidental. A recente maneira de apresentá-lo como um curandeiro já não pode aspirar a nenhuma consideração séria. Da imputação de polimathia pode concluir-se que procedem de Pitágoras aqueles que mais tarde Aristóteles referiu como “os chamados pitagóricos”, considerando-os fundadores de um novo tipo de ciência que eles, diversamente da “meteorologia” dos Jônicos, denominaram apenas Mathemata, isto é, “os estudos”.



Na continuação, Pitágoras e a transmigração de almas...



***



[1] Dike era o termo grego que trazia os conceitos de ordem moral e julgamento justo baseados no espírito da sociedade Grega, a Paidéia. Sólon, além de legislador, era poeta.



[2] Mais a oeste, tal doutrina seria chamada de karma.



[3] É preciso lembrar que na Grécia antiga um sábio era ao mesmo tempo poeta, filósofo, cientista e espiritualista. Se é possível, talvez, debochar do politeísmo do cidadão grego comum, já não é possível fazer o mesmo com os grandes pensadores, que subordinavam todos os deuses a Zeus – um Deus dos deuses – ou ao próprio Cosmos – a Natureza da natureza.



[4] Há mais de 2 mil anos, os sábios gregos já antecipavam, ainda que apenas pela intuição, muito do que viria a ser comprovado pela ciência moderna. Além da “infinidade de mundos”, Anaximandro também previu a teoria da evolução, ainda que de forma rudimentar: para ele, os animais nasceram do lodo marinho, e o homem teria se formado, no princípio, dentro de peixes, onde se desenvolveu e donde foi expulso logo que se tornou de tamanho suficiente para bastar-se a si próprio.



[5] Em sua grandiosa série de TV (Cosmos), Carl Sagan afirma que o Cosmos é tudo o que é, o que foi e o que será. Embora certamente a visão científica moderna não enxergue a natureza como um “sistema jurídico”, Sagan foi buscar inspiração nos gregos antigos para muito do que foi exposto em sua série; onde há sim muita espiritualidade, na pura essência do termo.



[6] Isso quer dizer, se é que não estarei aqui resumindo demasiadamente um pensamento tão complexo, que os gregos passaram a compreender a “lei de causa e efeito”, ou karma, não como uma “paga dos deuses”, mas antes como uma lei natural, que nada tem a ver com o antigo conceito de culpa – ou, para se entender melhor, de pecado perante os deuses.



***



Crédito da foto: Paul Almasy/Corbis (Delfos, Grécia).

O dia era para ser HOJE ! ! !

Hoje era para ser iniciados os pagamentos dos ex-servidores da FUGAST.


Veremos como transcorre o dia.


Vejamos como nosso governador mantêm sua palavra.

domingo, 7 de agosto de 2011

Primeira Nobre Verdade

Por Yongey Mingyur Rinpoche

A primeira das Quatro Nobres Verdades é conhecida como a Verdade do Sofrimento. [...]
À primeira vista, pode parecer bem depressivo. Ao ouvir ou ler sobre isso muitas pessoas acabam desconsiderando o budismo como algo indevidamente pessimista. “Ah, esses budistas estão sempre reclamando que a vida é miserável. A única maneira de ser feliz é renunciar ao mundo e partir para alguma montanha, meditando o dia todo. Que tédio! Não sou miserável. Minha vida é maravilhosa!”.

É importante, antes de tudo, notar que os ensinamentos budistas não dizem que, para encontrar verdadeira liberdade, as pessoas precisam abandonar suas casas, empregos, carros e qualquer posse material. Como sua história de vida demonstra, o próprio Buda tentou uma vida de extrema austeridade sem encontrar a paz que buscava.

Além disso, não há como negar que, para algumas pessoas, as circunstâncias podem se juntar por um tempo de tal modo que parece impossível uma vida melhor. Já encontrei muitas pessoas que pareciam bem satisfeitas com suas vidas. Se perguntasse como estão, elas responderiam: “Bem!” ou “Ótimo!”. Até, obviamente, ficarem doentes, perderem o emprego ou seus filhos chegarem na adolescência e, de repente, se transformarem de seres afetuosos e alegres em impacientes estranhos mal-humorados que não querem mais nada com os pais.

Então, se eu perguntar como vão as coisas, a resposta muda um pouco: “Estou bem, tirando o fato de que…” ou “Tudo está ótimo, mas…”.

Essa é, talvez, a mensagem essencial da Primeira Nobre Verdade: a vida costuma interromper as coisas, causando mesmo entre os mais contentes surpresas momentâneas. Tais surpresas — junto com experiências mais sutis e menos perceptíveis como as dores que vêm com a velhice ou a frustração de esperar numa fila na padaria ou simplesmente chegar atrasado em um compromisso — podem ser todas compreendidas como manifestações do sofrimento.

No entanto, entendo porque essa perspectiva mais abrangente pode ser difícil de compreender. “Sofrimento”, usado nas traduções da Primeira Nobre Verdade, é um termo carregado.

Quando as pessoas leem ou escutam isso tendem a pensar que só se refere a dor extrema ou angústia crônica.

Mas “dukkha”, a palavra usada nos sutras, na verdade é mais próxima de termos de uso comum no mundo moderno como “inquietação”, “mal estar”, “desconforto” e “insatisfação”. [...]
Então, enquanto o sofrimento — ou dukkha — se refere sim a condições extremas, o termo [...] é melhor compreendido como um sentimento constante de que “algo ainda não está perfeito”: que a vida seria melhor caso as circunstâncias fossem diferentes; que seríamos mais felizes se fôssemos mais jovens, magros ou ricos, se estivéssemos em um relacionamento ou então fora dele. A lista de angústias não tem fim.

Dukkha assim abraça todo o raio de condições, desde algo tão simples como uma coceira a experiências mais traumáticas como dor crônica ou doenças fatais. Talvez algum dia a palavra dukkha seja aceita em muitas culturas e línguas diferentes, do mesmo modo que a palavra sânscrita “karma”, nos dando uma compreensão mais ampla da palavra que costuma ser traduzida como “sofrimento”.

Assim como ter um médico que identifique os sintomas é o primeiro passo para tratar uma doença, compreender dukkha como a condição básica da vida é o primeiro passo para se livrar do desconforto e inquietação. Na verdade, para algumas pessoas, apenas ouvir a Primeira Nobre Verdade pode ser uma experiência libertadora em si mesma. Um antigo aluno meu recentemente admitiu que por toda sua infância e adolescência sempre se sentiu alienado de todos ao redor. Eles eram mais espertos que ele, se vestiam melhor, pareciam interagir sem qualquer esforço. Parecia que todas as outras pessoas tinham ganhado um “Manual da Felicidade” ao nascer e esqueceram de dar um a ele.

Mais tarde, quando estudou filosofia oriental na faculdade, se deparou com as Quatro Nobres Verdades, e toda sua percepção começou a mudar. Ele compreendeu que não estava sozinho em seu desconforto. Na verdade, inaptidão e alienação são experiências compartilhadas pelas pessoas há séculos. Ele pôde largar aquela triste história sobre não ter um “Manual da Felicidade” e simplesmente apenas ser exatamente como era.

Não que não houvesse trabalho a ser feito, mas pelo menos ele poderia parar de fingir que pertencia, sendo que na verdade se sentia de outro jeito. Ele pôde começar a trabalhar com seu sentimento básico de inadequação não como um estranho solitário, mas como alguém que tem um traço em comum com o restante da humanidade. Também passou a ter menos chances de ser pego desprevenido quando sentia suas maneiras particulares de sofrimento [...].

Yongey Mingyur Rinpoche (Nepal, 1975 ~)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

JUNG e a experiência de Deus

JUNG e a experiência de Deus

Posted by adi em agosto 1, 2011.  Diz ele: Encontrei esse texto de Carl Gustav Jung no site “Fórum Espírita“. É o prefácio que Jung fez  ao livro ‘Introdução ao Zen’, de Suzuki:


”  Tentar explicar o satori (iluminação, a Verdade, o encontro com Deus, samadhi, nirvana, consciência crística ou búdica, consciência cósmica, reino de Deus, Deus, Cristo, Buda) é inútil. Para alguns é a percepção da verdadeira natureza do ser; o consciente livra-se da ilusória (falsa) idéia de um ‘eu’ que tem existência própria e separada no tempo e que temos de defender contra os demais ‘eus’. Essa ilusão referente à natureza do ser é a confusão que todos fazem do ‘ego’ com o ‘ser’. Ser é a consciência total, absoluta, cósmica, o Cristo, o Buda, o reino dos céus, Deus. O ego é apenas um feixe de ilusões, repleto de lembranças, expectativas e interpretações erradas das coisas do mundo.


Quando pensamos que há algo de bom em nós, isso vem da ilusão de que possuímos alguma coisa, de que possuímos bondade, de que somos bons, mas, isso é sinal de imperfeição e insensatez. Fôssemos nós conscientes da verdade, saberíamos que não somos bons, que o bem não vem de nós. Por isso, o iluminado diz:
‘Que pobre tolo eu era! Estava na ilusão de que eu era isto ou aquilo: agora vejo que isto ou aquilo é Deus’.



O satori é uma ruptura da consciência condicionada, apenas limitada ao ego, repleta de ilusões, impurezas, de todo lixo mental ali depositado pelos costumes, tradições, culturas, suposições e crenças durante toda nossa vida. O satori faz com que a consciência adquira a forma de consciência ilimitada, infinita, de não-eu, não-ego, pura como é o ser. Jesus diz no seu sermão: ‘Bem-aventurados os pobres de espírito’, isto é, aqueles que perderam seu ego, sua ‘personalidade’, pois, agora, têm ‘a’ de Deus. Por isso, bem-aventurados. O satori é o reconhecimento de nossa face original, o homem antes de ser criatura (o espírito antes de ser homem), o reconhecimento, a percepção da verdade de que ‘eu sou’. 


Exceto alguns místicos ocidentais, parece, numa visão superficial, que, no Ocidente, nada há que possa ser comparado ao satori. Da prática (da meditação) surge um novo estado de consciência que não é influenciado pelas coisas externas. Daí brota uma consciência vazia, pura, que permanece aberta a outra influência. 

Essa influência não será mais sentida como a própria atividade da mente, do ego, do ‘eu’, e sim como o trabalho do não-ego, do ser absoluto, que tem a consciência como seu objeto. É como se o ego fosse invadido por um sujeito (a Subjetividade Absoluta, Deus) que tivesse tomado o seu lugar, o seu controle. Como disse Paulo: ‘Não sou mais eu que vivo, mas o Cristo é que vive em mim’.
 


Quando isso ocorre, aparece em cena um homem completamente transformado, um homem ‘renascido’, um ‘novo homem’.


O Zen difere de todas as outras práticas de meditação em virtude do ‘koan’ que rejeita qualquer resposta lógica. O próprio Buda é rejeitado por ser apenas uma imagem, um símbolo, um rótulo. Nada deve interferir a não ser o que realmente está lá, isto é, o homem com suas completas, mas inconscientes, suposições, ilusões, crenças, condicionamentos, dos quais, por ser inconsciente, não pode se libertar.


Na experiência maravilhosa da iluminação, a resposta parece surgir do vácuo como ‘da superfície do lago, salta, repentinamente, um peixe’. O inconsciente é a soma de todos os fatores psíquicos que estão fora da percepção consciente. Ele representa a totalidade de onde a consciência, aos poucos, arranca fragmentos. Caso a consciência seja esvaziada de todos seus conteúdos, cairá num estado de inconsciência total (um vazio, no qual, se  perseverar, nasce um estado indizível e ilimitado de consciência). Isso é obtido no Zen como regra, porque a energia do ser consciente é, pela prática, retirada dos conteúdos mentais (que sempre a iludem e onde sempre está) e se transfere para uma concepção de vazio. Aí, a concepção de imagens, pensamentos, ilusões, cessa e poderá vir a se produzir a tensão máxima que permitirá a final eclosão dos conteúdos inconscientes no consciente.


Os conteúdos mentais que afloram não são, em absoluto, inespecíficos. A experiência psiquiátrica com a loucura mostra que existem relações peculiares entre os conteúdos do inconsciente e as imagens e delírios que afloram ao consciente. São as mesmas relações que existem entre os sonhos e a consciência comum em todos os homens ditos ‘normais’.
 


Ali está um ‘quarto de despejo’, de segredos inconfessáveis semi-esquecidos. O inconsciente é a matriz de todas as concepções metafísicas, mitológicas e filosóficas, de todas as idéias acerca da vida que estão baseadas em premissas psicológicas (suposições, crenças). Cada invasão do consciente no inconsciente é uma resposta a uma condição definida do consciente, e esta resposta vem da totalidade das idéias-possibilidades que estão armazenadas no inconsciente. A divisão em unidades, a fragmentação dessa totalidade, é produzida pela consciência localizada (a consciência individual, condicionada), pois essa é sua natureza.


A reação conseqüente ao satori sempre tem um caráter total, pois reflete uma natureza que não foi dividida por qualquer consciência discriminativa; é, agora, uma consciência indivisa, integral, absoluta. Por isso seu efeito é avassalador. É uma resposta inesperada, total e completamente esclarecedora desde o momento em que o consciente se encontra num beco sem saída, em que não encontra resposta alguma para suas perguntas mais profundas.
 


Quando, após dura prática e enérgica destruição da compreensão racional, lógica, o devoto Zen recebe uma resposta da natureza – a única resposta verdadeira -, tudo que foi dito sobre o satori poderá ser compreendido. Cada um verá, por si mesmo, que são a simplicidade e a naturalidade da resposta que chocam; que envolvemos a verdade simples e pura, com a construção, sobre e em torno dela, de uma vasta estrutura de suposições, ilusões e crenças que, agora, são destruídas totalmente.


Embora o valor imenso do Zen para a compreensão do processo religioso transformador, sua prática entre os ocidentais é muito problemática. No Ocidente não existe uma educação mental (cultural) para o Zen. Quem, dentre os ocidentais, confiará nas atitudes incompreensíveis de um roshi (mestre zen)? Isso só é encontrado no Oriente. Quem poderá crer numa transformação ilimitada da mente humana e está disposto, para isso, a sacrificar anos de vida no trabalho da busca? No Ocidente houve quem se submetesse a tudo isso para alcançar o satori, mas se mantém em silêncio, não por timidez, mas por saber que é inútil qualquer tentativa de transmitir a experiência aos outros (‘vi e ouvi coisas inefáveis’, como disse Paulo).


Em nossa civilização ocidental nada há que incentive essas aspirações, nem mesmo a igreja cristã, que se julga a única guardiã dos valores religiosos. O único movimento dentro da civilização ocidental que tem, ou deveria ter, algum entendimento dessas tentativas é a psicoterapia. Não é por acaso que um psicoterapeuta está escrevendo este prefácio.


O psicoterapeuta, seriamente interessado no resultado de sua terapia, não pode ficar insensível quando vê o objetivo do método oriental de cura psíquica. Seu objetivo é ‘reconstruir o todo’ em face da fragmentação produzida pelo consciente racional (ego).
No Ocidente, nessa luta de cerca de dois mil anos, foram desenvolvidos métodos e doutrinas que simplesmente obscurecem as tentativas dos ocidentais a esse respeito. Nossas tentativas têm, com poucas exceções, descambado para a magia e cultos dos mistérios, entre os quais, forçosamente, está o Cristianismo. A igreja, com seus dogmas e fantasias, embaraçou seus fiéis num mundo de crenças sem nexo e imagens confusas. Não é a boa intenção, a imitação da vida dos ‘santos’ (o amor, a caridade), nem as acrobacias intelectuais (raciocínio, imaginação), que conduzem à reconstrução do todo e, sim, a cessação do ego.
 


Se o homem for escravo de sua crença quase biológica, sempre tentará reduzir o que observa a algo banal, trazendo suas experiências até a um denominador racional que só agrada indivíduos que se satisfazem com ilusões. Se o psicoterapeuta reflete um pouco a esse respeito, poderá entender como são vazias, sem importância e contrárias à vida, todas as reduções racionalísticas que versam sobre algo que está vivo e em desenvolvimento. E poderá ter idéia do que significa ‘abrir as portas pelas quais alguém poderá escapar satisfeito e completo’ (João da Cruz?). (Jesus: ‘… tudo mais virá por acréscimo’ e ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’).


Não quero dar conselhos, mas, quando os ocidentais começam a falar do Zen, considero meu dever mostrar onde está a entrada para o caminho que conduz ao satori (iluminação). E quais as dificuldades que juncam esse caminho, somente trilhado por uns poucos grandes homens, que são como faróis, numa alta montanha, brilhando, lá, do enevoado futuro.


Para uma experiência completa não há nada mais barato que o Todo. Para isso é preciso uma expansão indefinida da consciência. Não existem condições fáceis, nem substitutivos. O Zen mostra quanto significa, para o Oriente, o ‘tornar-se integral’, o tornar-se um Todo, uma mente só, indivisa.


A preocupação com os enigmas do Zen pode, ou fazer o ocidental sem força de vontade desistir, ou dar-lhe óculos para sua miopia, de modo que, através da escuridão, possa ter, ao menos, um vislumbre do mundo da experiência mística. O Zen não tem complicadas técnicas como as da yoga (hinduísmo), que dão ao ocidental, falsas esperanças de que a luz pode ser conquistada pelo ato de sentar e respirar. Ao contrário, exige inteligência e força de vontade, como o exigem todas as grandes coisas que desejamos tornar reais.  ”