sexta-feira, 30 de março de 2012

O resultado da verdadeira realização

Por Nyoshul Khen Rinpoche ("Natural Great Perfection” ~ loc. 1282):


Alguns podem não compreender e se perguntar: então por que se preocupar com ações virtuosas e acumulação de mérito ou ajudar os outros? Por que gerar bondade amorosa e compaixão? Outros podem pensar: por que não continuar realizando ações negativas, já que na vacuidade tudo é igual? Essa é uma incompreensão grave. É um perigo, um desvio da visão. Isso é niilismo, onde o abismo engolfante da pseudo-vacuidade acena.
Quando alguém realiza o estado natural, a verdadeira natureza de todos os seres, há naturalmente uma inundação de compaixão espontânea inconcebível, bondade amorosa, consideração e empatia, porque a pessoa tem a realização de que não há um eu separado dos outros.

A pessoa então trata os outros exatamente como a si mesma. Não há motivo para aversão, apego ou exploração. A realização espiritual autêntica é naturalmente dotada de qualidades inconcebíveis como compaixão, bondade amorosa e disponibilidade para ajudar. Cada um é visto como a si mesmo, não uma entidade permanente independente, mas uma reunião de forças interdependente, condicionada pelo karma.
Então, a pessoa alivia o sofrimento e a angústia, onde quer que elas surjam, dentro ou fora, tanto faz se para si ou para os outros. Por que você não faria isso? Ninguém quer sofrer, certo?

Quando você realiza a verdadeira natureza das coisas, como pode não ter uma compaixão espontânea incrível por todos aqueles que não compreendem isso? Todos os seres querem felicidade, mas, devido à ignorância, continuamente criam mais sofrimento para si mesmos. Que ótimo motivo para compaixão! Os seres se enganam ao tomar o que é ilusório, irreal e impermanente como sendo real e permanente. Que ótimo motivo para compaixão! Os seres vêem o que é benéfico como sendo inútil, e ignoram isso. Que ótimo motivo para compaixão! Em todo lugar onde o sofrimento e a ilusão surgem, a compaixão aparece para libertar e aliviar os seres sofrendo com essa ilusão. Esse é o jorro espontâneo da genuína realização da verdadeira natureza.

É como uma pessoa que vê crianças correndo perigosamente na rua e, naturalmente, vai até elas para salvá-las de um atropelamento. Não é uma questão de refletir sobre isso. Não é uma questão sobre quem são essas crianças. A pessoa apenas age naturalmente. Isso é chamado de compaixão; e não é, na verdade, uma compaixão conceitual. É apenas a ação adequada, sanidade básica. Esse é o comportamento iluminado espontâneo, a compaixão natural — esse é o resultado da verdadeira realização.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Folhas no Caminho: O papel do estudo na prática do Dhamma

O papel do estudo na prática do Dhamma:

 "'Eu acho que há uma tendência no mundo buddhista, particularmente no Ocidente, de ver o estudo como um adjunto não essencial à “prática”. Isso reflete o quanto a comunidade do Buddhismo Ocidental carrega o legado da década de 1960, que era um movimento romântico, anti-intelectual, que denegriu o estudo e a teoria em favor da experiência direta. "

'via Blog this'

Transforme a sua vida - venha praticar conosco!


Transforme a sua vida - venha praticar conosco!
Sanga Águas da Compaixão
Jisui Zendô - Comunidade Zendo Sul

Programação das atividades deste próximo final de semana da 

Sanga Águas da Compaixão


Nota: Está prevista para o dia 8 de abril a cerimônia Shukke Tokudo (ordenação monástica), do membro-praticante da nossa Sanga, Fernando Sedano, que se tornará um "unsui" (monge-em-treinamento) no nível de "jôza" (noviço ou 'estudante'). Convidamos a presença de todos para testemunhar esta tomada de votos e início de uma caminhada longa de treinamento!

Sábado, dia 31 março 2012
16:30 hs - Prática Regular (aberto a todos)

Domingo, dia 01 abril 2012
16:30 hs - Prática Regular (aberto a todos)

Local: Jisui Zendô - casa-sede da Sanga Águas da Compaixão - R. Eliziário Goulart da Silva, 93 - Bairro Cristo Redentor (antiga Rua Vista Alegre, atrás do Hospital Cristo Redentor). Ver as mãos das ruas para chegar de carro no Google Maps.

Para os plantonistas da Sanga:
- a próxima aula do Curso dos Preceitos fica para 15 de abril (domingo).

Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.

Sanga Aikikai - Zazen e Bate-papo nas 3as-feiras, às 18:30 hs.
Sanga Energia Harmoniosa - recesso por prazo indeterminado devido ao fechamento do espaço Tigre Coreano.

Nota: No caso das práticas da Sanga Aikikai, recomenda-se que estacionam os seus carros no estacionamento do Shopping Total ou no estacionamento pago que fica em frente da Aikikai.
 
Cuidem-se bem!
Gassho,
Monja Isshin

Próximas Atividades Especiais:

1) 08 de abril - Shukke Tokudo (ordenação monástica), do membro-praticante da nossa Sanga, Fernando Sedano

2) 21-22 de abril - Hanamatsuri (Festival das Flores) na Usina do Gasômetro

3) junho - Visita de Professor-mestre de Baika (Música Budista), enviado pelo escritório central do Soto Shu japonês

Atividades Regulares durante a semana: 

2as feiras: descanso

3as feiras: 09:30 hs - Zazen e Leitura de Sutra (casa-sede, aberto a todos)
                  19:00 hs - Zazen (Sanga Aikikai)

4as feiras: 19:30 hs - Introdução ao Zen (para iniciantes)
                  20:00 hs - Zazen (casa-sede, aberta a todos)

5as feiras: 09:30 hs - Zazen, Serviço Matinal (casa-sede, aberto a todos)
                  20:00 hs - Zazen e Aula do Prof. Monteiro (casa-sede, para inscritos)

6as feiras: 09:30 hs - Zazen, Serviço Matinal (casa-sede, aberto a todos)
                  19:30 hs - Palestra para Iniciantes (casa-sede, aberta a todos)


Previsão Mensal:

 Sábado do mês, 14:00 hs - Fukudenkai (Costura Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)

 Sábado do mês, 18:00 hs - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - somente Membros-Praticantes

 Sábado do mês, 18:00 hs - ArteZen (com projetor tipo Datashow) (aberto a todos)

 Domingo do mês, 14:00 hs - Curso dos Preceitos, turma 2 (grupo fechado)

 Sábado do mês, 18:00 hs, março a novembro - Palestra do Darma - A Prática Zen (Sutras Budistas: Sutra do Diamante, um dos sutras mais importantes na nossa tradição) - Professor Monteiro - aberto a todos - doação sugerida: R$ 20 não-associados/não-cotistas / R$ 10 associados/cotistas)

 Sábado do mês, 18:00 hs, dezembro a fevereiro - Palestra do Darma - O Zen na Prática - Monja Isshin - aberto a todos 

 Sábado do mês impar, 17:00 hs - Mini-Zazenkai - aberto a todos, doação sugerida: R$ 20 (não-associados/não-cotistas)

 Sábado do mês par, 09:00 hs -  Zazenkai de Um Dia - aberto a todos, doação sugerida: R$ 50 (não-associados/não cotistas)/ R$ 30 (associados/cotistas)

 Domingo do mês, 14:00 hs - Baika (Música Budista) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 10 (não-associados/não cotistas)

 Domingo do mês impar - Zazenkai de Um Dia (com início no Mini-Zazenkai de sábado com pernoite) - aberto a todos, doação sugerida: R$ 5,00 (não-associados/não cotistas, para a parte de Domingo)/ R$ 30 (associados/cotistas para a parte de Domingo)

Atividades periodicas:

CozinhaZen - Almoço Beneficiente - o próximo será no dia 24 de junho

Lembro a todos que a participação nas atividades pode ser integral ou parcial, pois os praticantes podem chegar e sair livremente, de acordo com as suas necessidades.

                   

quarta-feira, 28 de março de 2012

Crer.



"Acreditar que não acreditamos em nada 

é crer na crença 

de descrer."



‎"Toda regra tem exceção.

E se toda regra tem exceção, então,
esta regra também tem exceção

 e deve haver, perdida por aí,
uma regra absolutamente sem exceção."




Todas de Millôr Fernandes

Se Deus tivesse falado.

Se Deus tivesse falado...

“Pára de ficar rezando e batendo o peito!


O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.


Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.



Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.


Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.


Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.




Pára de me culpar da tua vida miserável:


Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.


O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.


Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.







Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.


Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…


Não me encontrarás em nenhum livro!





Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?





Pára de ter tanto medo de mim.


Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.


Eu sou puro amor.





Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.


Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres,


de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.


Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?


Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?





Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos


que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?


Que tipo de Deus pode fazer isso?





Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei;


essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.


Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.


A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,


que teu estado de alerta seja teu guia.





Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,


nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.


Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.






Eu te fiz absolutamente livre.


Não há prêmios nem castigos.


Não há pecados nem virtudes.


Ninguém leva um placar.


Ninguém leva um registro.






Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.


Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.


Vive como se não o houvesse.


Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar,


de amar, de existir.


Assim, se não há nada,


terás aproveitado da oportunidade que te dei.


E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.


Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste…


Do que mais gostaste? O que aprendeste?


Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar.


Eu não quero que acredites em mim.


Quero que me sintas em ti.


Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada,


quando agasalhas tua filhinha,


quando acaricias teu cachorro,


quando tomas banho no mar.


Pára de louvar-me!


Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?


Me aborrece que me louvem.


Me cansa que agradeçam.


Tu te sentes grato?


Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.


Te sentes olhado, surpreendido?…


Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.


Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.


A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo,


e que este mundo está cheio de maravilhas.


Para que precisas de mais milagres?


Para que tantas explicações?


Não me procures fora!


Não me acharás.


Procura-me dentro…


aí é que estou,


batendo em ti."





Baruch Spinoza


Ou Bento de Espinoza[1] ou também Benedito Espinoza, em hebraico: ברוך שפינוזה, transl. Baruch Spinoza, Nascido em 24 de novembro de 1632, falecendo em Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677, Haia) foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

No verão de 1656, a Sinagoga Portuguesa de Amsterdão o puniu com o Chérem, equivalente à Excomunhão, pelos seus postulados a respeito de Deus em sua obra, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza, e a Bíblia, uma obra metafórico-alegórica que não pede leitura racional e que não exprime a verdade sobre Deus. 

Spinoza defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade, a saber, a única substância em que consiste o universo e do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações. Ele afirmou que Deus sive Natura ("Deus ou Natureza" em latim) era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão (sob o conceito atual de matéria) e opensamento eram apenas dois conhecidos por nós.

A sua visão da natureza da realidade, então, fez tratar os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Esta formulação é uma solução muitas vezes considerada um tipo de panteísta e de monismo, porém não por Espinosa, que era um racionalista, por Extensão se teria um acompanhamento intelectual do Universo, como define ele em seu conceito de "Amor Intelectual de Deus".

Spinoza também propunha uma espécie de determinismo, segundo o qual absolutamente tudo o que acontece ocorre através da operação da necessidade, e nunca da teleologia.



Para ele, até mesmo o comportamento humano seria totalmente determinado, sendo então a liberdade a nossa capacidade de saber que somos determinados e compreender por que agimos como agimos.


Qualquer semelhança com o Budismo e sua versão de Karma, não como castigo, mas como uma consequência observável de causas prévias que podem ou não serem observadas. O que depende á a mente observar sua teia de ações e relações.

Deste modo, a liberdade para Spinoza não é a possibilidade de dizer "não" àquilo que nos acontece, mas sim a possibilidade de dizer "sim" e compreender completamente por que as coisas deverão acontecer de determinada maneira. [2] Causa e consequências.

terça-feira, 27 de março de 2012

O Zen ~ Nada especial

Por mais estranho que pareça...

"Um dos objetivos da prática é levar uma ‘vida confortável’. 
Aprendendo a conviver com a realidade do aqui-e-agora, deixando de idealizar a vida como algo diferente. 
É preciso experimentar as sensações: medo, frio, fome, alegria, entusiasmo, dor. 
O grande segredo consiste em tirar a própria vida do reino dos sonhos, onde se encontra, e transferi-la para a imensa realidade que existe". 


"A prática zen permite o desenvolvimento de sentimentos nobres através da vivência ou experimentação de outros considerados negativos. 
Experimentar a raiva, por exemplo, pode levar à compaixão. Ao lidar com um sentimento negativo, devemos agir como as pessoas que procuram a perfeição no que fazem. 
Por exemplo, ao escrever uma carta, devemos relê-la cada vez que acabamos um parágrafo, distanciando-nos da última ideia escrita e apreciando como esta se insere em relação ao todo, à ideia central da carta. 
Assim devemos proceder em relação à raiva, à inveja, ao ciúme, aos ressentimentos. Necessitamos de nos distanciar deles e vê-los 'de longe', para perceber a sua real dimensão e importância”.





* Charlotte Joko Beck (27 de março, 1917 — 15 de junho, 2011) foi uma mestre Zen dos Estados Unidos e autora dos livros Everyday Zen: Love and Work (Zen diário: Amor e Trabalho) e Nothing Special: Living Zen (Nada em especial: Vivendo Zen). 



Nascida na Nova Jérsey em 1917, ela estudou música no Oberlin Conservatory of Music e trabalhou por algum tempo como pianista e professora de piano. Ela casou-se e teve quatro filhos, então separou-se e trabalhou como professora, secretária e assistente num departamento de universidade.


Ela começou a praticar já com 40 anos com Hakuyu Taizan Maezumi em Los Angeles, e posteriormente com Yasutani Roshi e Soen Roshi. Por vários anos ela viajou de San Diego ao Centro Zen de Los Angeles. Tendo recebido a transmissão do Dharma de Taizan Maezumi Roshi, ela fundou a Escola Zen da Mente Comum (Ordinary Mind Zen School) e iniciou o Centro Zen de San Diego em 1983, servindo como sua principal mestra até julho de 2006. Viveu em Prescott, Arizona.
Beck faleceu a 15 de junho, 2011