quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Jeans para andar de bicicleta?


Jeans para andar de bicicleta? Só na Levis!

by ISABEL 

Muita gente pode dizer que esportes e roupas masculinas como calças jeans não combinam.

calça jeans ciclistaAfinal, calças jeans tem a fama de serem grossas demais, de impedirem o movimento livre das pessoas e de serem uma roupa masculina a ser utilizada somente em situações casuais.
A marca internacional Levis, famosa por suas calças jeans e pela ousadia de suas campanhas publicitárias, apresenta agora um novo modelo de calças jeans, ideal para quem anda de bicicleta chamado Levis Commuter.
O novo modelo de calça jeans Levis Commuter apresenta um tecido diferenciado, que protege contra odores é muito mais leve que o tradicional. O tecido é ainda reflexivo para chamar atenção para quem pedala a noite e possui um modelo que é maior na parte traseira. Confira.
Imagem e vídeo de divulgação

Estações do "BikePoa"

31/10/2012 08:55:47

Usina do Gasômetro é a estação mais procurada até agora
Foto: Ivo Gonçalves/PMPA
  A partir desta quarta-feira, 31, entram em funcionamento cinco novas estações do BikePoa, localizadas no Largo Zumbi dos Palmares (Travessa do Carmo), Ginásio Tesourinha, Shopping Praia de Belas, Escola Parobé e Região dos Tribunais (av. Aureliano de Figueiredo Pinto), além de 50 novas bicicletas públicas de aluguel. Devido a questões técnicas, a área da Redenção, que estava prevista, ficou para a próxima etapa de implantação. (vídeo)

Desde a inauguração, dia 22 de setembro, o sistema BikePoa de bicicletas públicas já tem mais 7.7 mil cadastrados e 7.2 mil viagens realizadas. A estação que tem mais procura por bicicletas, até o momento, é a Usina do Gasômetro. “Até dezembro, teremos mais dez estações e 100 bicicletas, totalizando 20 pontos e 200 bicicletas. Nosso objetivo é modificar a cultura do trânsito, inserindo a bicicleta como meio de transporte, não só de lazer”, afirmou Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da EPTC.

Os usuários podem se cadastrar no site do BikePoa (www.movesamba.com/bikepoa), em aplicativos para smartphone (IPhone e Android) ou por celular convencional, via portal de voz, ligando para o fone (51) 4063-7711. 


O valor do passe mensal é R$ 10 e o diário R$ 5, podendo utilizar o sistema durante todo o dia, das 6h às 22h, nas duas modalidades. As viagens devem ser realizadas em até uma hora. Após esse tempo, há um intervalo de 15 minutos para possibilitar outras viagens, com a mesma ou outra bicicleta. O objetivo é dar rotatividade e manter as estações com bicicletas para todos os usuários.

Funcionamento:

Habilitação - Para utilizar o sistema de bicicletas públicas de aluguel, o usuário deve informar o número do cartão de crédito. Há três maneiras de habilitar o passe do BikePoa: via celular convencional por portal de voz (fone 51 4063-7711), celular do tipo smartphone (via aplicativos do IPhone e Android) ou pelo site www.movesamba.com/bikepoa.

Retirada das bicicletas - O usuário poderá retirar as bicicletas das estações de duas maneiras: via celular convencional (portal de voz) ou por smartphones (via aplicativo sistema IPhone e Android).

Locais das Estações do BikePoa:

Existentes - Largo Glênio Peres/ Mercado Público/ Praça da Alfândega/ Casa de Cultura/ Usina do Gasômetro/ Câmara Municipal

Novas - Ginásio Tesourinha/ Praia de Belas Shopping/ Escola Técnica Parobé/ Largo Zumbi dos Palmares/ Região dos Tribunais (av. Aureliano Figueiredo Pinto)

Bike PoA é um projeto de sustentabilidade da Prefeitura de Porto Alegre em parceria com o sistema de Bicicletas SAMBA.

As Bicicletas do Bike PoA estão disponíveis em Estações distribuídas em pontos estratégicos da cidade, caracterizando-se como uma solução de meio de transporte de pequeno percurso para facilitar o deslocamento das pessoas nos centros urbanos.

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A linha do tempo da comida no neolítico até hoje!

A linha do tempo da comida

Publicado na Revista Galileu


Do neolítico até hoje, veja principais acontecimentos que marcaram a história de como o homem se alimenta

por Redação Galileu

Editora Globo
(Crédito: Shutterstock/ Reprodução)
Da caça ao fast-food, muito mudou na maneira como nos alimentamos. Galileu preparou um histórico das principais alterações no modo como nos relacionamos com os alimentos desde a pré-história. Confira:

Primeira grande mudança na alimentação. Passagem do homem caçador para o agricultor.

* 5400 AC - Pérsia (Irã)
 
Surge o vinho. A prova: vestígios de ácido tartárico encontrado em vasos da época. Os persas conheciam também o sorvete, por exemplo.

* 4000 AC
Os chineses já cultivavam laranjas.

* Até 2 DC - Império Romano
 
As pessoas comiam deitadas em camas dispostas num ambiente chamado Triclinium. A base do tempero era o garum, um fermentado de vísceras de peixe que valia mais que o ouro. Ainda hoje se come garum, mas apenas no Vietnã. O primeiro livro de cozinha, Apicius, é com receitas dessa época.

* Alta Idade Média (século 5 a 11)
Feudalismo, era de força, guerras. Comia-se muita carne e o bacana era ser gordo.

* Século 8
 
Os muçulmanos trazem do Oriente para a Europa as laranjas, gado, café, arroz e a cana-de-açúcar, que estimularia grandes expedições pelo mundo.

* Século 10
O Império Bizantino inventa a toalha de mesa, os talheres e a mesa para as refeições. Antes disso, a maioria das refeições era feita deitada (Imp. Romano) ou sentada no chão (muçulmanos).

* Século 13 - Europa (sobretudo península Ibérica)
 
Durante a Inquisição, uma das maneiras mais simples de se identificar famílias judias (ou cristãos novos) era verificar o que comiam, já que as diferenças étnicas são poucas. Porco, animais que tenham casco bipartido e crustáceos fazem parte da lista de tabus alimentares dos judeus, assim como o pão feito com levedura. Nesse período, o pão ázimo praticamente desaparece da Europa. Além disso, todas as diásporas foram importantes para espalhar pelo mundo produtos judaicos: o cordeiro como carne básica, a amêndoa como base para doces, o azeite de oliva. A cozinha judaica sempre foi uma culinária de fusão entre a mediterrânea, árabe e ibérica.

* Século 15
Chegada dos produtos americanos na Europa e dos europeus na América. Introdução de cana-de- açúcar, café, laranja e gado (trazidos do oriente para Europa pelos muçulmanos). Da América para a Europa foram feijões, batatas, tomate, pimentão, cacau.
Curiosidade: batata era comida de porco, só passou a ser consumida por gente no século 18. Muito de sua implantação se deve a Parmentier, o francês que até hoje batiza um conhecido prato feito com... batata.

* Séculos 15, 16 – Itália
 
Cozinha italiana fica forte, junto com o Renascimento. Banquetes fartíssimos, comida barroca, vários temperos misturados. Curiosidade: uma coisa que eles faziam bastante era rechear um porco com um pavão, que por sua vez estava recheado por um frango, que por sua vez vinha com uma perdiz dentro. Uma matrioska da gula.

* Século 17 – França
 
Hegemonia da cozinha francesa (dura até hoje). Não só a comida, como a “art de table” francesa, os modos. Começou com Luís XIV. Depuração do gosto.

* Século 19
Invenção do Hambúrguer nos Estados Unidos – 1885
Invenção da Coca-Cola - 1886

* Anos 1910 – França
 
Surge o primeiro guia de restaurantes/viagens, o Michelin (o senhor fabricava pneus, portanto tinha que fazer com que as pessoas gastassem seus pneus, assim resolveu lançar um guia de viagens). É o mesmo Michelin que até hoje manda na gastronomia mundial.

* Anos 50
A moda das lanchonetes americanas, fast food

* Décadas de 70/80 - França
 
Nouvelle Cuisine
Porções mínimas, pouco cozimento, poucos molhos, o alimento com o sabor natural dele. Pratos bonitos e elaborados. Coincide com a época do culto ao corpo. Condimentos praticamente reduzidos ao sal
Globalização do gosto – temperos vindos do mundo inteiro se misturando.

* Anos 90 - Catalunha
 
Revolução catalã, comandada por Ferran Adrià. A cozinha como laboratório. Cozinha molecular (tecno emocional).


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domingo, 28 de outubro de 2012

Os incríveis efeitos da meditação no cérebro e na psique



Artigo de 2006, mas ainda assim atual sobre meditação

Os incríveis efeitos da meditação no cérebro e na psique
 


Pesquisas científicas estão comprovando aquilo que os iogues e monges já sabiam há milênios – a meditação é muito mais do que uma simples técnica de relaxamento; a prática regular da meditação altera as estruturas neuronais do cérebro, estimulando as emoções e sentimentos positivos e incrementando as capacidades da mente.

Por Inês Castilho



A meditação é objeto de interesse crescente na medicina. Sua indicação está se tornando cada vez mais comum no tratamento e prevenção de doenças imunológicas, do sistema cardiorrespiratório, dos distúrbios do sono, do estresse, da dor. Médicos começam a adotá-la como técnica complementar no controle da hipertensão e arritmias cardíacas. Desde que foi capa da Time, em 2003, o assunto tem sido freqüentemente veiculado pela mídia – como o recente Globo Repórter que mostrou a prática de meditação por médicos e enfermeiros do Hospital de Apoio de Brasília.

A monja Coen Sensei, da tradição zen-budista, diz ter perdido a conta de quantas pessoas ensinou a meditar, no Japão e no Brasil. “Foram centenas, talvez milhares. O interesse pela meditação é internacional e cresce também entre empresários”, diz ela, que começou a praticar durante o boom da meditação nos Estados Unidos pós-guerra do Vietnã. Foi assim também com Susan Andrews, monja do tantra ioga que fundou o Instituto Visão Futuro em Porangaba (SP) e calcula já ter treinado mais de dez mil pessoas em seus 35 anos como instrutora de meditação, em vários países.

Mais de cinco mil pessoas já passaram pelos cursos ministrados por Lia Diskin na Associação Palas Athena, em São Paulo. A psicopedagoga Vivi Tuppy, formada pela Palas, levou para Araçatuba e Birigüi (SP) o programa Educadores da Paz, com práticas de atenção com foco na respiração que já alcançaram cerca de 17 mil alunos e professores das redes estadual e municipal de ensino. O resultado foi o aumento nos índices de aprendizagem e redução da violência na escola e comunidade. Essas são apenas algumas experiências.

Neuroplasticidade

Os estudos publicados em revistas científicas também se multiplicaram nas últimas décadas. Particularmente nos Estados Unidos, mas também no Brasil – em instituições respeitadas como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Albert Einstein e a Universidade de São Paulo (USP).


Neuroplasticidade é palavra-chave das pesquisas mais atuais. O termo refere-se 
à capacidade de o cérebro mudar sua estrutura e função – os circuitos neuronais mais usados se expandem e fortalecem, ao passo que aqueles não usados, ou usados raramente, se encurtam e enfraquecem. “Espera-se que, aprendendo a fomentar e controlar a neuroplasticidade, ela possa trazer benefícios em casos de doenças degenerativas e imunológicas, e lesões por trauma e vasculares”, observa

João Radvany,neurologista, psiquiatra e neurorradiologista do Hospital Albert Einstein.


Radvany prepara-se para dar início a uma pesquisa, financiada pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Einstein, que tem como objetivo verificar os efeitos da meditação na atenção e concentração de um grupo de médicos. O estudo será feito em colaboração com Edson Amaro Jr., coordenador de pesquisa em neuroimagem no IEP, e Elisa Kozasa, pesquisadora em técnicas de meditação da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, com o uso da técnica de ressonância magnética funcional, que permite verificar as áreas ativadas no cérebro durante a prática.

Diálogos Mind and Life

O impulso para o desenvolvimento dessas pesquisas deve-se principalmente à associação entre o líder espiritual tibetano Dalai Lama e o biólogo chileno Francisco Varela (1950-2001), então chefe da Unidade de Neurodinâmica do Hospital Salpetrière, em Paris. Nasceu daí o Mind and Life Institute, que desde 1987 realiza encontros anuais – um ano no Ocidente, e outro, informal, em Dharamsala, na Índia, onde Sua Santidade vive exilado – para um diálogo entre homens e mulheres de ciência e monges budistas sobre a natureza do universo e da mente.

Os encontros do Mind and Life reúnem cientistas dos mais respeitados centros de pesquisa dos Estados Unidos, tais como Harvard, Princeton, Duke, Califórnia. Com o objetivo de responder a um desafio – Como criar e manter uma mente saudável? –, a partir de 1990 cientistas filiados à instituição começaram a investigar os efeitos neurobiológicos da meditação.

Embora divulgados, eles só foram abertos ao público em 2003. O segundo diálogo aberto aconteceu em novembro passado em Washington (EUA), com o temaInvestigando a Mente 2005: Aplicações Clínicas e Científicas da Meditação. Em sua passagem por São Paulo, Sua Santidade falou sobre essas experiências no seminárioCompaixão e Sabedoria– a construção da saúde pessoal e coletiva, realizado dia 28 de abril no Palácio de Convenções do Anhembi, com a participação da Unifesp/Escola Paulista de Medicina.

Participação brasileira

Em 2004, o Mind and Life deu início a um programa de verão anual de uma semana, o Summer Research Institute, em que a apresentação e debate dos temas científicos eram alternados com períodos de meditação que somavam cerca de três horas diárias. Entre os pesquisadores selecionados encontrava-se a bióloga e pesquisadora brasileira Elisa Kozasa, que participou também do Summer Research de 2005.

Autora de uma tese de doutorado sobre os efeitos – positivos – da meditação e da respiração da ioga na ansiedade, depressão e atenção, Kozasa é co-orientadora de vários projetos de mestrado em meditação na Unifesp e se prepara para fazer pós-doutorado avaliando as áreas cerebrais relacionadas à meditação, através da técnica de neuroimagem funcional. Seu interesse foi despertado aos 12 anos pela prática de aikidô, e mais tarde pela leitura de livros como Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, e Diálogos Entre Cientistas e Sábios, de René Weber.

Também o interesse do neurologista João Radvany pela meditação, estranhamente, foi despertado por um esporte – a natação. Hoje, além de nadar ele pratica tai chi chuan e meditação zen. “Todos os estímulos do mundo externo e interno são levados ao tronco cerebral, onde uma rede de neurônios mantém o estado acordado e de atenção como se fosse uma luz, de intensidade variável e direção itinerante, para iluminar a experiência que a gerou”, explica Radvany. “As áreas frontais do cérebro fixam o foco dessa luz, gerando concentração no estímulo que a consciência escolhe. A meditação orienta o farol para que incida num determinado aspecto da experiência, excluindo todo o resto.”

Estudos do cérebro

Tanto Radvany como Kozasa ressaltam, entre os estudos realizados por pesquisadores que participam do Mind and Life, os experimentos de Sara Lazar, doutora em biologia molecular pela Universidade de Harvard e praticante de ioga e meditação por aproximadamente dez anos. Em um trabalho publicado em 2000, ela e sua equipe de pesquisadores mostraram que é possível verificar variações da atividade cerebral mesmo em pessoas com pouca prática de meditação, com o uso de ressonância magnética funcional.

Outro estudo de imagem da mesma pesquisadora, publicado em 2005, mostrou que áreas específicas do córtex cerebral, a camada externa do cérebro, eram mais espessas em praticantes pouco experientes de um tipo de meditação conhecida comomindfulness, comumente praticada nos Estados Unidos. “Ela mostrou que não é preciso meditar o dia inteiro para produzir alterações estruturais no cérebro. E que é possível retardar a atrofia de certas áreas cerebrais relacionadas à idade”, observa Radvany.

O neurocientista Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, em Madison, colaborador do Dalai Lama desde 1992, é um dos principais pesquisadores da neuroplasticidade. “Os neurocientistas acreditavam que nascemos com determinado número de neurônios, e que as mudanças ocorridas com o desenvolvimento seriam apenas nas conexões entre essas células e as células moribundas. Nos últimos dois anos, descobrimos que isso não é verdade. Já foi demonstrado nos humanos que crescem neurônios novos durante a vida inteira. É uma descoberta fantástica” – disse ele no diálogo ocorrido em 2000 em Dharamsala, relatado no livro Como Lidar com Emoções Destrutivas – Para Viver em Paz com Você e os Outros (Editora Campus), de autoria do Dalai Lama e de Daniel Goleman.

Outro pesquisador importante é Jon Kabat-Zinn, diretor da Clínica de Redução do Estresse, professor de medicina da Universidade de Massachusetts e um dos autores do livro A Mente Alerta (Editora Objetiva). Para Radvany, o mérito de Kabat-Zinn, criador do método de meditação conhecido como mindfulness behavior stress reduction (MBSR), ”foi chamar a atenção para o fato de que é possível transformar todas as atividades diárias em meditação, no sentido de baixar o tônus vegetativo – que é o antídoto do estresse”.

Em outras palavras: “Como você pensa, você se torna. Se diariamente, durante a profunda concentração da meditação, redirecionamos o nosso estado mental para longe dos estreitos e negativos padrões de pensamento, em direção a um sentimento de compaixão e tranqüilidade interior, nossas mentes gradualmente se tornam repletas de amor e paz” – como diz Susan Andrews e, na qualidade de aprendiz, posso testemunhar.


Tecnologias não-invasivas
A investigação da natureza cognitiva e da emoção no cérebro, com o nível de detalhamento atual, só se tornou possível pelo poder das tecnologias não- invasivas. “A máquina de ressonância magnética tem um metro e meio de comprimento, pesa de 20 a 30 toneladas e faz um barulho danado, mas a radiação que emite é um bilhão de vezes menor que a do Raio X”, explica o radiologista Edson Amaro Jr.

Uma revisão minuciosa dessas técnicas e das pesquisas sobre meditação foi feita por Marcello Árias Danucalov e Roberto Simões, pesquisadores do  Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), em Santos (SP), no livro Neurofisiologia da Meditação – Investigações Científicas no Yoga e nas Experiências místico-religiosas: uma Aproximação Entre a Ciência e a Religiosidade, que acaba de ser lançado pela Editora Phorte. Como Kozasa e Radvany, Marcello descobriu o estado meditativo praticando um esporte – o surfe.

“O estudo da ativação dos circuitos elétricos cerebrais através desses novos recursos tecnológicos tem nos fornecido um minucioso quadro das funções individuais de cada pequena parte que compõe o sistema nervoso central”, afirmam eles. “Com elas, nós podemos determinar a localização anatômica exata de cada um dos sítios relacionados aos nossos cinco sentidos; quais as áreas ativas durante os mais simples ou os mais complexos comportamentos motores, de uma pequena área agregada ao ato de movimentar um único dedo, até as vastas regiões do córtex motor associadas à performance de um pianista.”

Pesquisa revela: meditação
libera da cólera, da raiva e da inveja
Os primeiros resultados de um programa de pesquisas de laboratório atualmente em curso na Universidade de Wisconsin (EUA), sob a direção de Richard Davidson, reunindo neuropsicólogos e monges budistas, faz furor nos meios científicos. Esses resultados revelam que a meditação é muito mais do que uma simples técnica de relaxamento. Mostram que um treinamento regular da mente e do espírito, através de técnicas de meditação, modificam nossa massa cinzenta – e assim, como conseqüência, a maneira através da qual percebemos o mundo dentro e fora de nós.

Esse programa de pesquisas não teria sido possível sem a colaboração interessada de Tenzin Gyatso, o atual Dalai Lama, chefe do budismo de linha tibetana. Ele se entusiasmara, há cinco anos, ao ter conhecimento de recentes descobertas na área da neurociência, em particular a respeito da maneira através da qual as emoções negativas aparecem no cérebro. Alguns pesquisadores o visitaram na ocasião, interessados no fato de que, para muitos budistas praticantes regulares da meditação, estados de alma como o ódio, a raiva, a cólera, a inveja e a cólera constituem sentimentos praticamente desconhecidos. Bem ao contrário, é certo que a meditação reforçou neles traços positivos de caráter e de comportamento.

Foi Richard Davidson quem teve a idéia de utilizar instrumental moderno para explorar em laboratório o funcionamento cerebral de alguns desses budistas. Desse instrumental faz parte, entre outras aparelhagens, a tomografia por ressonância magnética funcional.

Segundo um dogma neurocientífico fundamental, hoje superado, as conexões neuronais cerebrais seriam estabelecidas durante a infância, e permaneceriam fixas até a morte do indivíduo. Sabe-se hoje que os neurônios se modificam até uma idade bastante avançada, tanto no que diz respeito à sua estrutura quanto a seu funcionamento. Quando alguém pratica assiduamente um instrumento musical, não apenas as redes neuronais correspondentes se reforçam, mas novas conexões se estabelecem, incrementando a destreza do músico. A esse fenômeno dá-se o nome de “plasticidade cerebral”. Mas tal plasticidade, recentemente descoberta, só tinha sido estudada em relação a sinais provenientes do mundo exterior.

Davidson decidiu investigar se atividades puramente mentais também modificariam o cérebro, e qual o efeito que tais modificações produziriam sobre o humor e os sentimentos. Ora, os budistas consideram sua doutrina como uma “ciência do espírito”, e a eles próprios como “atletas do mental”. Daí sua escolha quase natural, por parte de Davidson e sua equipe, como sujeitos privilegiados para os experimentos.

Desde o início os resultados obtidos em laboratório foram surpreendentes. O primeiro “paciente” investigado, um velho lama de um mosteiro na Índia, podia se gabar de mais de dez mil horas de meditação praticadas. No laboratório, o seu córtex frontal esquerdo – a parte do córtex situada à esquerda e atrás da fronte – se revelou muito mais ativa do que a dos 150 outros “pacientes-testemunhas” testados, que nunca tinham praticado meditação.

As pesquisas começaram a mostrar uma série de outros dados relevantes. Descobriu-se, por exemplo, que tais áreas cerebrais são mais ativas em pessoas que conduzem um “estilo de sentimentos positivos”, ou seja, nos que são mais alegres e cultivam o bom humor. Por outro lado, notou-se que, nas pessoas de natureza mais pessimista, triste e depressiva, predomina o hemisfério cerebral direito. Os otimistas, os que preferem sorrir para a vida, possuem sempre um córtex cerebral esquerdo mais ativo. Um exame do comportamento dos otimistas revelou também que eles são capazes de superar muito mais rapidamente as emoções negativas que inevitavelmente nos assaltam de vez em quando. Tudo se passa como se um córtex esquerdo mais ativo tivesse a capacidade de inibir os sentimentos negativos.

Desenvolvendo ainda mais seu programa de pesquisa, Davidson fez uma descoberta ainda mais surpreendente: a serenidade pode ser aprendida, exatamente como se aprende um instrumento musical ou uma disciplina esportiva.

As muitas formas da meditação
Há várias linhas de meditação. O hinduísmo e o budismo têm vários tipos de prática. E há ainda as meditações judaica, cristã e islâmica, além daquelas praticadas pelos povos tradicionais. Tendo em mente que meditar é a única maneira de compreender o que significa meditação, seguem algumas considerações sobre o tema:

“Todas as tradições religiosas do Oriente e do Ocidente, dos monoteístas, dos politeístas e dos animistas tiveram e têm uma expressão meditativa no sentido de cultivar uma mente mais pacificada e um coração apaziguado.” (Vivi Tuppy)

“A meditação cria uma instância mental que permite tomar consciência dos pensamentos e emoções antes de agir. Com isto, posso dar a eles o devido valor, descartando (na medida do possível) conscientemente aqueles que possam causar sofrimento ao outro e a mim próprio.” (Georg Tuppy, cardiologista)

“Meditação, para efeitos de um modelo biológico, é exercício de concentração e simultânea inibição de estímulos irrelevantes.” (João Radvany)

“Dentro de suas orações havia toda a eternidade; e nas horas de meditação o tempo fluía e refluía, avançava ou recuava mil anos ou então se sumia de todo no espaço ilimitado de seu espírito, que de repente ficava esvaziado do seu conteúdo de tempo, bem como uma lagoa cuja água se drenasse por completo.” (Érico Veríssimo, O Tempo e o Vento)

“A meditação me possibilita estar presente neste instante eterno.” (Monja Coen)
“É a arte de se abrir a cada momento com consciência calma.” (Victor N. Davich, emO Melhor Guia Para a Meditação)

“Se a água barrenta ficar quieta por muito tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o poder de Deus começa a refletir-se nas águas claras de sua consciência." (Paramahansa Yogananda,1893-1952)



Serviço:

Para saber mais, acesse: 


monjaisshin.wordpress.com/


www.zendobrasil.org


www.monjacoen.com.br


www.visaofuturo.org.br


www.palasathena.org


www.mindandlife.org


http://lazar-meditation-research.info/


www.umassmed.edu/cfm


www.kdham.com


sábado, 27 de outubro de 2012

Shushogi - Significado da Prática Autêntica


O "Shushogi" é uma compilação simplificada de partes de Shobogenzo. Teria sido uma versão criada e usada para alcançar os leigos e ajudar na prática destes. É  usado até hoje em cerimônias públicas voltadas para leigos, no Japão. 

Este resumo do Shushogi foi disponibilizado pela Osho Coen Sensei (aqui).


PRIMEIRA PARTE ~ PRINCÍPIOS GERAIS

Clarificar completamente o significado de vida-morte é o assunto mais importante para todos que trilham o Caminho Iluminado.
Quando há Buda na vida-morte, não há vida-morte.
Compreenda, simplesmente, que vida-morte é em si mesmo Nirvana.
Não há viver-morrer a ser odiado nem Nirvana a ser desejado.
Então, pela primeira vez, você estará livre de nascer-morrer.
Compreenda que esse assunto é de suprema importância.
É raro nascer humano, mais raro ainda entrar em contato com os ensinamentos de Buda.

Devido às nossas virtudes do passado nascemos humanos e também pudemos encontrar o Budismo.
Dentro do campo de vida-morte esta vida atual deve ser considerada a melhor e a mais excelente de todas.
Não desperdice seu precioso corpo humano à toa, abandonando-o ao vento da impermanência.
Não se pode depender da impermanência.
Não sabemos quando nem onde nossa vida transiente terminará.
Este corpo já está além de nosso controle e a vida, à mercê do tempo, continua sem parar nem por um só momento.
Assim que a face da juventude desaparecer é impossível encontrar mesmo seus traços.
Quando pensamos a respeito do tempo cuidadosamente, descobrimos que o tempo, uma vez perdido, nunca volta.
Repentinamente, ao estarmos de frente para a possibilidade de morrer, governantes, reis, rainhas, ministros e ministras de estado, parentes, servos, companheiras, companheiros, filhos, filhas, jóias raras, não servem para nada.
Devemos entrar no campo da morte a sós.
Apenas nos acompanha nosso carma bom ou mau.
A lei da causalidade, entretanto, é ao mesmo tempo clara e impessoal: os que fazem o mal inevitavelmente descendem e os que fazem o bem inevitavelmente ascendem.
Se assim não fosse, os vários Budas não surgiriam neste mundo nem Bodidarma teria ido à China.
A retribuição do bem e do mal ocorre em três diferentes períodos de tempo:
Retribuição experimentada na vida presente
Retribuição na vida seguinte a esta
Retribuição em vidas subseqüentes.
Esse é o primeiro assunto que deve ser estudado e compreendido quando se pratica o Caminho.
Caso contrário muitos de vocês cometerão erros e manterão pontos de vista errados.
Mais do que isso: poderão descender aos mundos do mal, passando por um longo período de sofrimento.
Compreenda que nesta vida você só tem esta vida, não duas ou três.
Quão lamentável se, infrutiferamente, mantendo pontos de vista falsos, você em vão errar, pensando que não está cometendo nenhum mal, quando de fato o está cometendo.
Você não poderá evitar a retribuição cármica de seus atos, mesmo que, erroneamente assuma que, por não reconhecer sua existência não está sujeito a eles.


SEGUNDA PARTE ~ LIVRE ATRAVÉS DO ARREPENDIMENTO
Budas Ancestrais devido á sua infinita bondade deixam abertos os grandes portais da compaixão, a fim de que todos os seres – tanto humanos quanto celestiais – possam realizar a Iluminação.
Embora a retribuição cármica por atos maléficos deva surgir em um dos três estágios do tempo, o arrependimento abranda seus efeitos, trazendo alívio e pureza.
Logo, vamos, com toda sinceridade, arrepender-nos em frente a Buda.
O poderoso mérito do arrependimento ante Buda não apenas nos liberta e purifica, mas também encoraja o crescimento, em nós mesmos, da pura fé, do esforço correto, e a eliminação das dúvidas.
Quando a pura fé aparece nos transformamos e os benefícios se estendem a tudo que existe, todas as coisas, todos os seres e todos os objetos.
A essência do arrependimento é a seguinte:
”O acúmulo de carma prejudicial, desde o passado mais remoto, tem sido imenso, gerando dificuldades à prática.
Rogo a todos os Budas Iluminados e Benfazejos que me liberte da retribuição cármica, eliminando todos os obstáculos à prática do Caminho.
Rogo que me envolvam em sua compaixão, pois é através dessa compaixão que os méritos de seus ensinamentos preenchem tudo que existe nos céus, nos mares e nas terras.
Budas Ancestrais do passado foram originalmente como sou agora.
No futuro, serei como os Budas Ancestrais.
Todo carma prejudicial, alguma vez cometido por mim, (desde os tempos mais remotos);
Devido à minha ganância, raiva e ignorância (sem princípio);
Produzido por meu corpo, fala e mente,
Agora, de tudo, eu me arrependo.”
Quem se arrepender dessa maneira deverá, sem dúvida, receber invisível ajuda dos Budas Ancestrais.
Compreender e agir de maneira correta é a forma de se arrepender.
O poder advindo (do arrependimento) purifica os erros até suas raízes.


TERCEIRA PARTE ~ PRECEITOS E ILUMINAÇÃO

Em seguida devemos venerar profundamente os Três Tesouros.
Os Três Tesouros sempre merecem veneração e respeito, independentemente das mudanças em nossa vida e em nosso corpo.
Budas Ancestrais, tanto na Índia como na China, corretamente transmitiram a veneração a Buda, ao Darma e à Sanga.
Pessoas sem sorte e sem virtude são incapazes de ouvir até mesmo o nome dos Três Tesouros, menos ainda podem se refugiar neles.
Não aja como aqueles que em vão se refugiam nas divindades e espíritos das montanhas ou adoram altares não budistas, porque é impossível obter alívio do sofrimento dessa forma.
Pelo contrário, rapidamente se refugie em Buda, no Darma e na Sanga, procurando não apenas alívio ao sofrimento, mas também completa iluminação.
Refugiar-se nos Três Tesouros significa, antes de tudo, fé pura.
Quer durante a vida do Tathagata ou mesmo depois, com as mãos em gassho (palma com palma) e abaixando a cabeça devemos entoar o seguinte:
Retorno e me abrigo em Buda.
Retorno e me abrigo no Darma.
Retorno e me abrigo na Sanga.
Retorno e me abrigo em Buda porque é o Grande Mestre.
Retorno e me abrigo no Darma, porque é um Bom Remédio.
Retorno e me abrigo na Sanga, porque é composta de Excelentes Amigos.
É somente através do refúgio nos Três Tesouros que alguém se torna discípulo (a) de Buda e se qualifica a receber todos os outros preceitos.
O mérito de se refugiar nos Três Tesouros inevitavelmente aparece quando há comunhão espiritual entre quem pratica e Buda.
As pessoas que experimentam essa comunhão sempre se refugiam, quer estejam existindo como seres celestiais ou humanos, vivendo nos reinos dos sofrimentos, espíritos famintos ou animais.
Como resultado, o mérito assim acumulado inevitavelmente aumenta através dos vários estágios da existência, conduzindo, finalmente, a mais alta e suprema iluminação.
Saiba que o Bhagavata já testemunhou que esse mérito é de valor insuperável e de profundidade incomensurável.
Logo, todos os seres devem assim tomar refúgio.
Em seguida devemos receber os Três Preceitos Puros.
O primeiro é o de não fazer o mal.
O segundo é o de fazer o bem.
O terceiro é o de beneficiar abertamente a todos os seres.
Então, nos comprometemos a aceitar e manter as dez graves proibições:
- não matar
- não roubar
- não praticar atos sexuais impróprios
- não mentir
- não negociar tóxicos (usar ou fazer com que outros usem)
- não falar dos erros alheios
- não ser controlada pelo orgulho (não se elevar e rebaixar os outros, não se rebaixar e elevar os outros, não se igualar)
- não ser controlada pela ganância ou avareza (não cobiçar e/ou não compartilhar o Darma e/ou coisas materiais)
- não difamar os Três Tesouros (Buda, Darma e Sanga)
Todos os Budas têm recebido e observado os Três Refúgios, os Três Preceitos Puros e as Dez Graves Proibições.
Recebendo esses Preceitos a pessoa realiza a Suprema Sabedoria Iluminada (Anokutara Sammyaku Sanbodai), a sólida e indestrutível iluminação de todos os vários Budas nos três estágios do tempo (passado, futuro e presente)
Há alguma pessoa sábia que, alegremente, não procure alcançar isso?
O Bhagavata mostrou claramente a todos que quando as pessoas recebem os Preceitos de Buda, entram no nível de todos os Budas. Nível de todos os Budas é o da grande iluminação. Verdadeiramente se tornam crianças Buda.
Todos os Budas existem nesse campo, percebendo tudo claramente e sem deixar rastros.
Quando pessoas comuns fazem desse o seu campo, deixam de distinguir entre sujeito e objeto.
Nesse momento tudo que existe – tanto terra, grama, árvore, muro, tijolo, pedregulho – funciona como manifestação da iluminação.
Aqueles que recebem os efeitos dessa manifestação realizam iluminação mesmo sem o perceber.
Esse é o mérito do não fazer e não lutar: acordar a mente Bodhi (iluminada)


QUARTA PARTE ~ FAZER O VOTO ALTRUISTA

Acordar a mente Bodhi significa fazer o voto de não atravessar para a outra margem antes que todos os seres o tenham feito.
Quer laico ou monástico, quer vivendo no mundo de seres celestiais ou humanos, sujeito à dor ou ao prazer, todos rapidamente devem fazer este voto.
Embora de aparência humilde, uma pessoa que desperte a mente Bodhi já é um mestre de toda a humanidade.
Até mesmo uma menina de sete anos pode se tornar uma mestra nas quatro classes de praticantes (monges, monjas, leigos, leigas) e ser a mãe compadecida de todos os seres, pois há completa eqüidade entre homens e mulheres. Este é um dos mais altos princípios do Caminho.
Após acordar a mente Bodhi, tudo se torna uma oportunidade para praticar o voto altruísta, mesmo vagabundear pelos seis planos de existência e pelas quatro formas de vida.
Logo, se até agora você tenha passado o tempo em vão, deve rapidamente fazer este voto, enquanto é tempo.
Embora você tenha adquirido mérito suficiente para realizar o Caminho de Buda, você deve colocá-lo à disposição de todos os seres, a fim de que todos se tornem o Caminho.
Desde tempos imemoriais sempre tem existido quem sacrifique sua própria iluminação a fim de que todos os seres se beneficiem, ajudando-os, primeiramente, a cruzar para a outra margem.
Há quatro espécies de sabedoria, que beneficiam outros:
Ofertas, palavras amorosas, benevolência e identificação – todas são práticas de um Bodisatva.
Dar ofertas significa não cobiçar.
Embora seja verdade que, em essência, nada pertence ao ser, isto não deve nos restringir de fazer ofertas.
O tamanho da oferta não importa. É a sinceridade com a qual é dada.
Logo, a pessoa deve estar pronta a compartilhar até mesmo uma frase ou verso do Darma, pois isto se torna a semente do bem – tanto nesta como na próxima vida.
Também assim é quando se trata de seus tesouros pessoais – seja uma só moeda ou mesmo uma folha de grama – pois o Darma é o tesouro e o tesouro é o Darma.
Existem pessoas que sem esperar recompensa, de boa vontade, ajudam os outros.
Fornecer um barco transportador ou uma ponte – ambos são atos de doação, bem como auxiliar alguém a ganhar seu viver e produzir bens.
O significado de palavras amáveis é o de que, ao observar todos os seres, a pessoa, sentindo compaixão por todos, os trata com ternura e afeto. Isto significa ver a todos como se fossem seus próprios filhos e filhas.
A pessoa virtuosa deve ser elogiada e a sem virtudes, apiedada.
Palavras amáveis são a fonte de superação do ódio de seus amargos inimigos e do estabelecimento da amizade com outras pessoas.
Ouvir, pessoalmente, palavras amorosas ilumina a face e aquece o coração.
Impressão mais profunda é causada quando palavras amorosas são ditas em sua ausência.
Lembre-se que palavras amáveis têm um impacto transformador nos outros.
Benevolência significa encontrar meios de ajudar os outros, sem se importar com sua posição social.
Quem ajudou a fraca tartaruga ou o pássaro ferido não estava pensando em retorno por sua ajuda. Simplesmente agiu de forma benevolente.
Os tolos pensam que seus interesses próprios irão sofrer se colocar o benefício alheio em primeiro lugar.
Entretanto, estão errados.
Benevolência é como um círculo, beneficiando igualmente a si e aos outros.
Identificação significa não diferenciação – não diferenciar entre o seu próprio ser e os outros seres.
Por exemplo, o humano Tatagata, que viveu a mesma vida que todos nós humanos vivemos.
Os outros podem ser identificados com o Eu e o Eu com os outros.
Com o tempo, tanto os outros como o eu se tornam um.
Identificação é como o oceano, que não recusa nenhuma água sem importar qual sua origem. Todas as águas se juntam formando o mar.
Reflitam quietamente sobre os ensinamentos precedentes, pois é a prática Bodisatva.
Não trate este assunto levianamente.
Venere e respeite seus méritos, capazes de libertar todos os seres, permitindo que atravessem e alcancem a outra margem.


QUINTA PARTE ~ PRÁTICA CONSTANTE E AGRADECIMENTO

A oportunidade de despertar a mente-iluminada é, em geral, reservada aos seres humanos vivendo neste mundo.
Agora, que tivemos a boa fortuna de nascer neste mundo e também de entrar em contato com Xaquiamuni Buda, como poderíamos ser alguma coisa além de felizes?
Em tranqüilidade considere a questão: se o Verdadeiro Darma ainda não houvesse se espalhando pelo mundo, seria impossível entrar em contato com os ensinamentos mesmo que quiséssemos sacrificar nossas vidas para fazê-lo.
Quão afortunados somos por haver nascido no tempo presente, quando podemos realizar tal encontro!
Ouçam o que disse Buda:
“Ao encontrar um mestre que exponha a suprema sabedoria iluminada (anokutara sammyaku sambodai), não considere seu nascimento, não se preocupe com sua aparência, não desgoste de suas faltas nem se importe com seu comportamento. Pelo contrário, respeitando sua grande sabedoria, reverentemente se prostre à sua frente três vezes ao dia – manhã, meio-dia e entardecer – sem causar nenhuma preocupação.”
Somos agora capazes de entrar em contato com Xaquiamuni Buda e ouvir seus ensinamentos graças à bondade compadecida resultante da prática constante de cada um dos Budas Amcestrais.
Se Budas Ancestrais não houvessem diretamente transmitido o Darma, como teria chegado até nós?
Devemos ser gratos por uma simples frase ou parte do Darma, mais ainda pela grande bem aventurança que surge do mais alto e supremo ensinamento: O Olho Tesouro do Verdadeiro Darma (Shobogenzo).
O pássaro ferido não se esqueceu da bondade que recebeu, premiando seus benfeitores com quatro anéis de prata.
Se até mesmos os animais demonstram sua gratidão pela bondade recebida, como podem os seres humanos deixar de fazer o mesmo?
O verdadeiro caminho para demonstrar essa gratidão não pode ser encontrando em nenhum outro local a não ser em nossa prática diária do Caminho de Buda.
Isto quer dizer que devemos praticar sem pensar apenas em nós mesmo e apreciando cada instante da vida.
Tempo voa mais rápido que uma flecha. A vida é mais transiente que uma gota de orvalho.
Não importa quão talentosa uma pessoa possa ser – é impossível trazer de volta até mesmo um dia do passado.
Viver cem anos sem propósito é comer o fruto amargo do tempo. É tornar-se um lamentável saco de ossos.
Mesmo que você tenha sido escravizada(o) por seus sentidos durante cem anos se, durante um só dia, entregar-se ao treinamento de Buda, ganhará cem anos de vida neste e também no outro mundo.
Cada dia de vida deve ser apreciado, o corpo deve ser respeitado.
É através de nosso corpo-mente que somos capazes de praticar o caminho.
Por esta razão devem ser amados e respeitados.
É através de nossa própria prática que emerge a prática dos vários Budas e o seu grande Caminho nos alcança.
Logo, cada dia de nossa prática é o mesmo que cada dia de prática de Budas Ancestrais – a semente para se tornar o Caminho Iluminado.
Todos e todas as várias Budas não são nada mais que o próprio Xaquiamuni Buda.
Xaquiamuni Buda não é nada além do fato de que a mente é Buda.
Quando Budas do passado, futuro e presente realizam a iluminação, sempre se tornam Xaquiamuni Buda.
Verifique esta questão cuidadosa e meticulosamente, pois é a maneira de demonstrar sua gratidão a todos e todas Budas.

Shobogenzo, o "discurso amável"


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Sermão Mensal ~ SOTOZEN-NET

Outubro de 2012 - Discurso Amável - Aigo 愛語 pelo Rev. Daigaku Rummé parte 1

A expressão "aigo" (priyavacana) é um antigo termo Budista originário da Índia, que no Sotoshu o contexto mais familiar é a referência encontrada no texto do Dogen Zenji, Bodaisatta ShishoboBodaisatta Shishobo, que significa "Os Quatro Métodos Abrangentes de um bodhisattva", é um capítulo da obra Shobogenzo. "Aigo" significa, literalmente, "discurso amável, simpático" ou também traduzido como "palavras carinhosas". Penso que é razoável dizer que a maioria do povo japonês não leu o Shobogenzo, mas os japoneses filiados ao Sotoshu estão familiarizados com o Shushogi ("O Sentido da Prática e da Verificação").Shushogi é um compêndio de citações retiradas do Shobogenzo para formar um sutra, em primeira instância para os laicos, composto por Ouchi Seiran no início do século doze.

Shushogi (leia aqui) é constituído por cinco seções. A quarta seção é intitulada "Fazendo Juramento para Benefício das Pessoas". A maior parte é uma citação direta de "Os Quatro Métodos Abrangentes de um Bodhisattva". É neste contexto do ensinamento do benefício dos outros que a maioria das pessoas se deparou com o ensinamento do Dogen Zenji acerca do "Aigo". Quando traduzimos este termo para o português como "discurso amável" ou "palavras carinhosas", esta é uma noção em que a maioria das pessoas não pensa num ser particular da religião Budista, mas vê-o num conceito ético que podemos encontrar em qualquer cultura ou religião. Então, qual é o significado deste termo no Budismo? O que queria Dogen Zenji dizer com isso? Estas são questões que não posso responder, mas gostaria de escrever sobre algumas das ligações que vejo entre este ensinamento e o contexto mais abrangente do ensinamento Soto em geral. Gostaria de começar por escrever acerca do significado do termo "Shobogenzo".

  • "Sho", em Shobogenzo, significa algo que é eterno, algo que nunca irá mudar. O caratere chinês para "sho" (正) significa "verdade" ou "certo" e, neste caso, significa inalterar

  • "Ho" (–@), que é pronunciado como "bo" quando surge no Shobogenzo, é o DharmaO Dharma é tudo o que vejo com os olhos, ouço com os ouvidos, saboreio com a língua, cheiro com o nariz, sinto com a pele e penso com a mente.  Os seres humanos também são o Dharma.

  • "Gen" (眼) significa "olho". Neste caso, o olho representa cada uma das funções dos seis sentidos: ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar e pensar. O olho não julga se algo está limpo ou sujo, se é grande ou pequeno; apenas reflete o que é visto. A língua não faz a distinção entre o doce e o salgado. Todas as coisas na nossa vida surgem através dos cinco sentidos para ver, ouvir, cheirar, saborear e tocar. É na mente que surgem as discriminações sobre o que é doce ou salgado, gostar e não gostar. A ferramenta que produz essas discriminações chamamos "consciência". Não é realizada qualquer discriminação nas sensações recebidas pelos olhos, ouvidos ou pela língua. A discriminação apenas ocorre na função da consciência. Isto significa que não é mau pensar em várias coisas e esses pensamentos não são ilusão. A função da mente não é outra senão uma ferramenta para pensar. Isto é explicado no "gen" (olho) do Shobogenzo


  • "Zo" (‘) é um depósito ou um compêndio de informações. O sentido aqui é que deixando o sofrimento ser o que o sofrimento é, deixar a ansiedade ser o que a ansiedade é e deixar todas as discriminações serem o que são, funcionamos livremente. Coletivamente, os quatro componentes do "Shobogenzo" significam que nós próprios somos um olho que vê corretamente as coisas. Significa ver todas as coisas como parte da natureza.


Muitos pensam que "Shobogenzo" se refere apenas a um livro do Dogen Zenji, mas se rastrearmos a etimologia desta expressão, descobrimos que surge na conhecida história chamada  "O Buda Shakyamuni segura uma flor", em que Dogen Zenji se refere três vezes ao Shobogenzo

O Buda Shakyamuni quis resolver por qualquer meio possível os sofrimentos básicos da vida humana: nascimento e morte, velhice e doença. Por esse motivo, entrou num local de prática ascética. Falando mais tarde sobre a natureza da prática, disse que "Ninguém no passado, presente ou futuro praticou, pratica ou irá praticar exercícios ascéticos tão severos como as que eu pratiquei". No entanto, independentemente daquilo que puniu seu corpo, não conseguiu alcançar a verdadeira satisfação. Percebendo que não conseguiria acabar com os sofrimentos básicos dos seres humanos através da prática ascética, o Buda Shakyamuni retemperou as forças aceitando a comida de uma jovem aldeã e depois sentou-se em meditação. Alguns anos mais tarde, quando observava a estrela da manhã, percebeu que que existe um momento em que o ego desperta para o ego. Verificou isso em si próprio. Durante 49 anos após o seu despertar, o Buda viajou através da Índia divulgando o ensinamento de que todas as coisas, incluindo as montanhas, rios e a relva foram, são e serão Buda. No entanto, o verdadeiro sentido do ensinamento do Buda Shakyamuni não pode ser expresso em palavras. Ao fim de sua vida, chegou o momento de decidir quem seria o seu sucessor, estava no topo do Monte Grdhrakuta, quando subitamente agarrou numa flor e depois deixou-a cair. O discípulo Mahakashapa mostrou um largo sorriso. Ao ver isso, o Buda Shakyamuni disse:
"Tenho o depósito do verdadeiro olho do Dharma ("Sho~bo~gen~zo"), a mente maravilhosa de Nirvana, a verdadeira forma do sem forma e a porta sútil do Dharma independente de palavras e transmitida para lá dos ensinamentos. Confio-o agora a Mahakashapa". 

Esta expressão "Shobogenzo" foi utilizada nesse momento. Assim, queira ficar a saber que o Shobogenzo do Dogen Zenji tem o mesmo conteúdo do Shobogenzo do Buda Shakyamuni. No mesmo momento, lembre-se que também não é outro senão este Shobogenzo
O ponto principal que Dogen Zenji acentua vezes sem conta no Shobogenzo é 
"como é possível conhecer-se realmente a si próprio?" 
Em geral, podemos dizer que a prática Zen é a disciplina de conhecer o Ego; é a intenção de conhecer que o Ego é um entre todas as coisas.

Talvez o ensinamento mais conhecido do Dogen Zenji seja:
 "Estudar o Caminho de Buda é estudar o Ego. 
Estudar o Ego é esquecer o ego. 
Esquecer o ego é ser iluminado por todas as coisas. 
Ser iluminado por todas as coisas é abandonar o corpo e a mente do ego, tal como outros. 
Todos os vestígios da iluminação desaparecem e esta iluminação sem vestígios continua sem cessar". 
Neste ensinamento, que também aparece no Shobogenzo, Dogen Zenji diz claramente que a prática (o estudo do Caminho do Buda) serve para entender a essência natural das coisas (Ego). Isto serve para entender fundamentalmente que não existe separação entre cada um e os outros esquecendo o ego e que todas as coisas são parte do corpo de cada um (iluminado por todas as coisas). Quando chega o entendimento de que não é necessário comparar agora o funcionamento exterior de cada um (ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar e pensar), a procura da mente termina e floresce o maior afeto pela mente. Depois, manifesta-se a verdadeira natureza do Ego. O sentimento de separar o ego de cada um, que é a origem da divisão da essencial harmonia da natureza das coisas, para ego e outros, dor e prazer, aumento e redução, é a origem de toda a ilusão e ansiedade. Quando a origem desta ilusão desaparece completamente, esta condição é chamada "libertação". Também é chamada "nirvana" ou "iluminação". Quando o ego é esquecido, então nasce a atividade alegre que se liberta do ego (desaparecem todos os vestígios da iluminação) e pode verificar por si mesmo, em qualquer momento, em qualquer lugar e em qualquer situação (continua, infinitamente, sem cessar).

De novo, quando consideramos o ensinamento do Dogen Zenji acerca do "discurso amável", penso que é importante analisar o contexto mais amplo do seu ensinamento.



Grato em Gasshô!