quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Zen é Tedioso - Brad Warner



Zen é Tedioso 

Vamos admitir. O Zen é um tédio. Você não encontrará uma prática mais maçante e tediosa que o Zazen. A filosofia é árida e nada empolgante. Para mim é incrível que alguém ainda leia esta página. Você não percebe que poderiam estar jogando Tetris, bem agora? Que existem milhões de sites pornôs por aí? Por que você não arranja outra coisa para fazer?




Joshu Sasaki, um professor Zen da escola Rinzai, uma vez disse que os professores budistas sempre tentam conduzir seus estudantes ao Mundo de Buda, mas, se os estudantes soubessem o quanto seco e sem gosto o Mundo de Buda realmente é, eles nunca desejariam visitar tal lugar. Joshu está certo. Olhe para os professores Zen. Nenhum deles tem a menor noção de tendências, de moda. Eles sentam por aí olhando para paredes vazias. Pergunte a eles sobre levitação, eles não lhe dirão nada. Indague-os sobre a vida após a morte, eles mudam de assunto. Tente tratar de milagres e eles começam a jorrar coisas sem noção como carregar baldes d’água e cortar lenha para fogueiras. Eles vão para cama cedo e acordam cedo. Zen é filosofia para nerds.




O tédio é importante. A maior parte de nossa vida é enfadonha, sem gosto e entediante. Se você praticar Zazen, você vai aprender muito sobre tédio. Me lembro da primeira vez que fiz Zazen. Estava muito empolgado. Imaginava que teria visões de Krishnas com muitos braços descendo dos Céus ou que eu desvaneceria no Vácuo exatamente como a música dos Beatles ou alcançaria o Nirvana (seja lá o que isso fosse) ou alguma outra coisa maravilhosa. Mas o relógio apenas continuava a ticar, minhas pernas começavam a doer e pensamentos tolos continuavam a me tirar do eixo. Talvez eu não esteja fazendo as coisas do jeito correto, pensava. Mas não, anos após ano a mesma coisa. Tédio, tédio, tédio. Passados 20 anos, continua entendiante como o Diabo.




As pessoas odeiam suas vidas cotidianas. Querem algo maior. Pensamos: “Esta nossa vida de labuta é entediante, aborrecedora e ordinária. Mas um dia, um dia…” Tem um episódio do The Monkees onde o Mike Nesmith diz que, quando ele estava no colégio, costumava caminhar para fora dos palcos da escola com a guitarra em mãos pensando “um dia, um dia”. Num momento futuro, ele diz que agora (sendo agora 1967, no auge da fama dos Monkees) ele sai do palco na frente de milhares de fans pensando “Um dia, um dia”. A vida é assim. Nunca será perfeita. Qualquer “dia” que você imagine, nunca chegará. Nunca. Não importa o que seja. Não importa o quão bem você construa sua fantasia ou o cuidado com que siga cada passo necessário para alcançá-la. Mesmo que termine exatamente como você planejava, você acabará como Mike Nesmith. “Um dia, uma dia…” Lhe garanto.




Sua vida irá mudar. Com certeza. Mas também não ficará nem melhor nem pior. Como podemos comparar o presente com o passado? O que você sabe sobre o passado? Você não tem a mínima noção! Você mal consegue se lembrar precisamente sobre o dia de ontem, que dirá da semana passada ou de 10 anos atrás. O futuro? Esqueça…




Pessoas anseiam por fortes emoções. Experiências extremas. Algumas pessoas vem ao Zen esperando que a Iluminação seja a Experiência Máxima. A Mãe de Todas as Experiências Máximas. Mas a iluminação real é o mais ordinário do ordinário. Certa vez eu tive uma visão maravilhosa. Vi-me transportado através do tempo e do espaço. Milhões, não. Trilhões de zigalhões de anos se passaram. Não figurativamente, mas literalmente. Passaram zunindo. Vi-me exatamente na borda do tempo e do espaço, um gigante vasto composto de mentes e corpos de todas as coisas vivas que já existiram. Foi uma incrível experiência cinética. Emocionante. Fiquei semanas extasiado. Finalmente contei ao Sensei Nishijima sobre o ocorrido. Ele disse que era devaneio. Somente minha imaginação. Não posso lhes descrever como isto me fez sentir. Imaginação?! Foi uma experiência uma experiência tão real quanto eu jamais tive. Eu estava a ponto de chorar. Depois, ainda no mesmo dia, eu estava comendo uma mexerica. Percebi o quão incrível ela era. Tão delicada. Tão maravilhosamente laranja. Tão saborosa. Então contei a Nishijima sobre o ocorrido. Esta experiência, disse ele, era iluminação.




Você precisa de um professor como este. O mundo de precisa de um monte de professores como este. Incontáveis professores teriam interpretado minha experiência como a fusão entre minha alma e Deus, como um possuidor de coisas grandes e maravilhosas, teriam se comprazido com meu crescimento espiritual e me dado orientações sobre como ainda além. E eu estaria ainda mais instigado, admito! Teria sido fisgado. Se um professor não despedaçar suas ilusões, ele não estará lhe fazendo nenhum favor.




Tédio é o que você precisa. Fundir-se com a Mente de Deus na Borda do Universo, isto é excitação. É por isso que estamos nessa coisa de Zen, certo? Comer mexericas? Fala sério, cara! O que poderia ser mais entediante que comer mexericas?




Há alguns anos atrás, alguns psicologistas fizeram um estudo no qual colocaram alguns monges budistas e algumas pessoas comuns numa sala e ligaram eles a máquinas EEG (eletroencefalograma) para gravar suas atividades mentais. Pediram para todos que relaxassem e então entroduziram um estímulo repetitivo, um relógio funcionando alto, dentro da sala. O EEG demonstrou que os cérebros das pessoas comuns paravam de reagir ao estímulo depois de alguns segundos. Mas os dos budistas continuaram a registrar cada tique-taque que ocorria. Psicologistas e jornalistas nunca souberam interpretar exatamente o que aquela descoberta significava, embora seja frequentemente citada. É uma questão simples. Budistas prestam atenção a suas vidas. Pessoas comuns imaginam que tem coisas melhor sobre o que pensar.




Tendo compreendido isto, olhe para sua vida ordinária e você encontrará coisas realmente maravilhosas. Nossa velha, banal e sem objetivo vida pode ser incrivelmente alegre - surpreendentemente, espantasamente, incansavelmente, impiedosamente alegre. Inclusive, você não precisa fazer coisa alguma para experimentar tal alegria. As pessoas acreditam que precisam de grandes e interessantes experiências. E é verdade que experiências gigantescas, traumáticas, algumas vezes trazem as pessoas, durante um piscar de olhos, para um tipo de estado de iluminação. É por isso que esses tipos de experiências são tão desejados. Mas elas se desgastam rapidamente e você logo está de volta à procura da próxima excitação. Você não precisa usar drogas, explodir coisas, ganhar a Fórmula 1 ou caminhar na lua. Não precisa escalar com suas mãos nuas o Himalaia, nem se atracar com sua apetecível secretária ou ficar na balada a noite inteira com pessoas lindas. Não precisa ter visões sobre a união com a totalidade do Universo. Simplesmente seja o que você é, onde você está. Limpe o banheiro. Leve o cachorro para passear. Faça seu trabalho. Esta é a coisa mais mágica que existe. Se você realmente pretende se unir com Deus, este é o modo de fazê-lo. Neste momento. Você sentado aí, com a mão por debaixo da calça, mascando batata chips, rolando a tela do computador e pensando “Esse cara está louco”. O agora é Iluminação. Este momento nunca aconteceu antes e, uma vez que tenha acabado, nunca mais voltará. Você é este momento. Este momento é você. Este mesmíssimo instante é sua fusão com o Universo inteiro, com Deus ele mesmo.


A vida que você vive agora possui alegrias que nem Deus nunca saberá.


Brad Warner é um sacerdote Soto Zen norte americano, autor de livros, blogger , documentarista e baixista punk rock.
http://en.wikipedia.org/wiki/Brad_Warner

sábado, 9 de novembro de 2013

15 coisas que você precisa abandonar para ser feliz



Dica de Felix Antonio De Medeiros Filho 

Essa lista é uma tradução, o texto original e em inglês é do World Observer Online.


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1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo

Há tantos de nós que não podem suportar a ideia de estarem errados – querem ter sempre razão – mesmo correndo o risco de acabar com grandes relacionamentos ou causar estresse e dor, para nós e para os outros. E não vale a pena, mesmo. Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo: “Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer) Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim? 
2. Desista da sua necessidade de controle
Estar disposto a abandonar a sua necessidade de estar sempre no controle de tudo o que acontece a você e ao seu redor – situações, eventos, pessoas, etc. Sendo eles entes queridos, colegas de trabalho ou apenas estranhos que você conheceu na rua – deixe que eles sejam. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá o fazer se sentir melhor.
“Ao abrir mão, tudo é feito. O mundo é ganho por quem se desapega, mas é necessário você tentar e tentar. O mundo está além da vitória.” Lao Tzu
3. Pare de culpar os outros
Desista desse desejo de culpar as outras pessoas pelo que você tem ou não, pelo que você sente ou deixa de sentir. Pare de abrir mão do seu poder e comece a se responsabilizar pela sua vida.
4. Abandone as conversinhas auto-destrutivas
Quantas pessoas estão se machucando por causa da sua mentalidade negativa, poluída e repetidamente derrotista? Não acredite em tudo o que a sua mente está te dizendo – especialmente, se é algo pessimista. Você é melhor do que isso.
“A mente é um instrumento soberbo, se usado corretamente. Usado de forma errada, contudo, torna-se muito destrutiva.” Eckhart Tolle
5. Deixe de lado as crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível. De agora em diante, não está mais permitido deixar que as suas crenças restritivas te deixem empacado no lugar errado. Abra as asas e voe!
“Uma crença não é uma ideia realizada pela mente, é uma ideia que segura a mente.” Elly Roselle
6. Pare de reclamar
Desista da sua necessidade constante de reclamar daquelas várias, várias, váaaarias coisas – pessoas, momentos, situações que te deixam infeliz ou depressivo. Ninguém pode te deixar infeliz, nenhuma situação pode te deixar triste ou na pior, a não ser que você permita. Não é a situação que libera esses sentimentos em você, mas como você escolhe encará-la. Nunca subestime o poder do pensamento positivo.
7. Esqueça o luxo de criticar
Desista do hábito de criticar coisas, eventos ou pessoas que são diferentes de você. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, somos todos iguais. Todos nós queremos ser felizes, queremos amar e ser amados e ser sempre entendidos. Nós todos queremos algo e algo é desejado por todos nós.
8. Desista da sua necessidade de impressionar os outros
Pare de tentar tanto ser algo que você não é só para que os outros gostem de você. Não funciona dessa maneira. No momento em que você pára de tentar com tanto afinco ser algo que você não é, no instante em que você tira todas as máscaras e aceita quem realmente é, vai descobrir que as pessoas serão atraídas por você – sem esforço algum.
9. Abra mão da sua resistência à mudança
Mudar é bom. Mudar é o que vai te ajudar a ir de A a B. Mudar vai melhorar a sua vida e também as vidas de quem vive ao seu redor. Siga a sua felicidade, abrace a mudança – não resista a ela.
“Siga a sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes” Joseph Campbell
10. Esqueça os rótulos
Pare de rotular aquelas pessoas, coisas e situações que você não entende como se fossem esquisitas ou diferentes e tente abrir a sua mente, pouco a pouco. Mentes só funcionam quando abertas.
“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” Wayne Dyer
11. Abandone os seus medos
Medo é só uma ilusão, não existe – você que inventou. Está tudo em sua cabeça. Corrija o seu interior e, no exterior, as coisas vão se encaixar.
“A única coisa de que você deve ter medo é do próprio medo” Franklin D. Roosevelt
12. Desista de suas desculpas
Mande que arrumem as malas e diga que estão demitidas. Você não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos por causa das muitas desculpas que usamos. Ao invés de crescer e trabalhar para melhorar a nós mesmos e nossas vidas, ficamos presos, mentindo para nós mesmos, usando todo tipo de desculpas – desculpas que, 99,9% das vezes, não são nem reais.
13. Deixe o passado no passado
Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando o passado parece bem melhor do que o presente e o futuro parece tão assustador, mas você tem que levar em consideração o fato de que o presente é tudo que você tem e tudo o que você vai ter. O passado que você está desejando – o passado com o qual você agora sonha – foi ignorado por você quando era presente. Pare de se iludir. Esteja presente em tudo que você faz e aproveite a vida. Afinal, a vida é uma viagem e não um destino. Enxergue o futuro com clareza, prepare-se, mas sempre esteja presente no agora.
14. Desapegue do apego
Este é um conceito que, para a maioria de nós é bem difícil de entender. E eu tenho que confessar que para mim também era – ainda é -, mas não é algo impossível. Você melhora a cada dia com tempo e prática. No momento em que você se desapegar de todas as coisas, (e isso não significa desistir do seu amor por elas – afinal, o amor e o apego não têm nada a ver um com o outro; o apego vem de um lugar de medo, enquanto o amor… bem, o verdadeiro amor é puro, gentil e altruísta, onde há amor não pode haver medo e, por causa disso, o apego e o amor não podem coexistir), você irá se acalmar e se virá a se tornar tolerante, amável e sereno… Você vai alcançar um estado que te permita compreender todas as coisas, sem sequer tentar. Um estado além das palavras.
15. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas
Pessoas demais estão vivendo uma vida que não é delas. Elas vivem suas vidas de acordo com o que outras pessoas pensam que é o melhor para elas, elas vivem as próprias vidas de acordo com o que os pais pensam que é o melhor para elas, ou o que seus amigos, inimigos, professores, o governo e até a mídia pensa que é o melhor para elas. Elas ignoram suas vozes interiores, suas intuições. Estão tão ocupadas agradando todo mundo, vivendo as suas expectativas, que perdem o controle das próprias vidas. Isso faz com que esqueçam o que as faz feliz, o que elas querem e o que precisam – e, um dia, esquecem também delas mesmas. Você tem a sua vida – essa vida agora – você deve vivê-la, dominá-la e, especialmente, não deixar que as opiniões dos outros te distraiam do seu caminho.
Fonte: Guia Ingresse

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Medicina transformou comportamentos normais em doença



Por JuLIANA VINES para 


A "caixa da normalidade" está cada vez menor e a culpa é do excesso de diagnósticos de doenças mentais, diz o psiquiatra americano Dale Archer, autor do best-seller "Better than Normal", recém-lançado no Brasil com o título "Quem Disse que É Bom Ser Normal?" (Sextante, 224 págs., R$ 24,90).

Archer, 57, é psiquiatra clínico desde 1987 e fundou um instituto de neuropsiquiatria em Lake Charles, Louisiana (EUA). Em 2008, ele notou que havia algo errado com os seus pacientes: a maioria dizia ter um transtorno mental e precisar de remédios --só que eles não tinham nada.



"Estamos 'patologizando' comportamentos normais. E isso não é só culpa da psiquiatria", disse Archer, à Folha, por telefone.

Um quarto dos adultos americanos têm uma ou mais doenças mentais diagnosticadas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA. "Isso está errado. Há uma gama de comportamentos que não são doença."

Editoria de Arte/Folhapress

Em um ativismo "pró-normalidade", Archer descreve oito traços de personalidade comumente ligados a transtornos, como ansiedade, e afirma que não há nada errado com essas características, a não ser que sejam muito exacerbadas.

"O remédio tem que ser o último recurso, e não é o que eu vejo. As pessoas entram em um consultório e saem com uma receita médica. A psicoterapia é subestimada."

De outubro de 2012 a setembro de 2013, o mercado de antidepressivos e estabilizadores de humor movimentou mais de R$ 2 bilhões no Brasil, segundo dados da consultoria IMS Health. Nos últimos cinco anos, o número de unidades vendidas desses remédios cresceu 61%.

Para Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, os diagnósticos aumentaram, sim, mas da mesma forma como aumentou os de outras doenças, de diabetes a câncer. "Isso é resultado da evolução da medicina e da facilidade de acesso."

O mesmo pensa o psiquiatra Fabio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro. "Também aumentou o número de prescrições de insulina e anti-hipertensivo. Isso ninguém questiona. Mas quando se fala de mente, da psique, todos têm uma opinião", afirma.

Segundo Silva, o problema é o subdiagnóstico. Para ele, há mais deprimidos sem tratamento do que pessoas sem depressão sendo tratadas.

Barbirato dá como exemplo o TDAH (transtorno do deficit de atenção e hiperatividade). "O número de crianças com prescrição de remédios não chega a 1,5% no Brasil, e a estimativa mais baixa de presença de TDAH no país é de 1,9%. Há crianças sem tratamento."

CRITÉRIO ANTIGO

Para a psicóloga Marilene Proença, professora da USP, a sociedade está "medindo" as crianças com réguas antigas. "Os critérios de diagnóstico de TDAH esperam uma criança que brinque calmamente, que levante a mão para perguntar algo. Isso não condiz com o papel da criança na sociedade. Ela está exposta a muitos estímulos e é tudo muito competitivo", diz.

Para a psiquiatra e psicanalista Regina Elisabeth Lordello Coimbra, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as pessoas estão menos tolerantes às emoções.

"Há pouco lugar para a tristeza. E a exaltação e excitação são confundidas com felicidade. Vivemos de uma forma mais estimulante, na qual emoções mais depressivas, reflexivas, não têm espaço."

De acordo com Silva, o que caracteriza a doença mental é a gravidade dos sintomas. "Deixa de ser normal quando a pessoa tem prejuízo, quando está tão triste que não consegue sair da cama."

Ele argumenta que "invariavelmente" encaminha os pacientes para a psicoterapia. E garante: nem sempre eles saem do consultório com uma receita médica.

sábado, 2 de novembro de 2013

O Pico da Montanha é onde estão os meus pés.: Eus e reencarnação


Pergunta – O fato de não nos lembrarmos de nossas vidas passadas tem uma função, não é?



Monge Genshô – Podemos pensar desta forma. Desde o momento que não há um “Eu”, pois este é uma construção, não há ninguém para carregar uma memória. Se houvesse um portador de memória, haveria a continuidade de um “Eu”.



Pergunta – Posso supor depois das suas explicações que existe reencarnação?



Monge Genshô – De quem? Se não existe um “Eu” como pode haver reencarnação? Se memórias não permanecem, reencarnação de quê? O que reencarnaria? Reencarnação é uma palavra que não serve ao Budismo. Reencarnação significa que um “Eu” carrega uma nova vida e ganha uma nova carne. Se dizemos que não há almas ou espíritos e que as memórias desaparecem com a morte, então o que há para reencarnar? Só restam impulsos, que é o que chamamos de carma, o movimento do universo. Esse movimento produz novas identidades, novos seres. É o carma que produz manifestações, não são as manifestações que carregam carmas. Essa definição cabe ao espiritismo onde um espírito carrega carma e vai ganhando novos corpos e é dessa definição que vem também a noção de missões, resgates e um progresso permanente. Prefiro falar em nova manifestação cármica, outros professores em renascimento.

No Budismo nem mesmo essa noção de progresso permanente existe, pois você pode regredir. É muito fácil destruir sua vida, você pode nascer numa condição muito boa, boa família, bom emprego, bom casamento. Mas basta você se viciar em drogas e poderá acabar perdendo tudo isso. Outro detalhe é que os universos são cíclicos e nada é permanente, nada irá durar para sempre. Há continuidade mas não de um eu.



Pergunta – Eu penso na questão da fé, que é uma questão cultural e social. Acreditar no que “a priori”, não pode ser comprovado ou investigado...



Monge Genshô – A proposta do Budismo é outra, não se trata de fé e sim de uma grande dúvida. Não tenho nenhuma solução para lhe dar e, portanto, você não tem onde se agarrar. Você está sozinho, sem anjos ou deuses pra lhe ajudar e em suas mãos está o poder de construir seu próprio caminho. O que posso te oferecer no Zen é um método de treinamento.



Pergunta – Mas a doutrina do carma, se é que pode ser chamado assim, não é uma questão de fé?



Monge Genshô – Não. Veja bem, você poderia me apontar um efeito sem causa?



Pergunta – No mundo fenomênico não.



Monge Genshô – Então você sabe que não existe causa sem efeito, essa é a maior declaração de Buda a respeito do carma. Carma significa ação. “Carma Vipaka” é “fruto da ação”. Se você encontra cacos de uma xícara no chão, irá concluir que alguém deixou cair, os cacos são frutos de uma ação. O carma não precisa de fé, ele é auto evidente, ação e consequência. A definição de fé é a firme convicção em algo que não se vê ou ouve, ou seja, acreditar em algo sem qualquer evidência. Para o Budismo isso não faz qualquer sentido. “Teste”, disse Buda, “se funcionar para você, está ótimo”.
 
 
 
Postado por Monge Genshô

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Nação Zumbi tocando "Tomorrow Never Knows"

Nação Zumbi tocando "Tomorrow Never Knows" dos Beatles para programa de covers da MTV. 

Essa canção está no álbum Revolver dos Beatles lançado em 1966, e foi composta à base de experiências transcendentais e leituras budistas.
Muito foda!!!!


domingo, 20 de outubro de 2013

Pratique agora e chega de "mimimi"

Postado por Daniele Vargasno Sobre Budismo no Facebook




"Aparentemente, alguns pensam que todos deveríamos apenas respeitar a opinião de todo mundo com respeito aos ensinamentos e evitar qualquer conflito. Mas um vigoroso debate faz parte da tradição budista. 
Em muitas tradições monásticas, monges e monjas participam de debates intensos. Desafiando a compreensão do outro monástico, de preferência o desafio à um mais velho, é incentivada. Na tradição Zen o "Dharma Combat" tornou-se um pouco ritualizado , mas a história do Zen registra muitos desses desafios que até mesmo se tornaram físicos , bem como - com agarrões, empurrões, socos, e ocasionamente um osso quebrado. 
Eu não estou dizendo que devemos replicar isso (principalmente porque eu iria perder), mas é importante entender que a discordância é OK. 
Lewis Richmond escreve que as pessoas que procuram o budismo no Ocidente estão à procura de um refúgio de conflitos emocionais. Ele escreve: " Como um proeminente líder budista disse: '80 por cento dos meditadores em centros budistas têm um fundo de trauma e abuso, e os outros 20 por cento estão mentindo ." 
Ele continua: 
"Como conseqüência disto, no entanto , os budistas ocidentais são frequentemente aversos ao conflito e a expressar pensamentos e sentimentos negativos. Isso pode dar às comunidades budistas uma pátina irreal de paz e harmonia, mascarando uma corrente mais profunda de ressentimento, raiva e frustração. " 
É também o caso de quem vem ao budismo para aprender alguma coisa. Um ponto central para o processo de aprendizagem é desafiarmos nossos pontos de vista atuais e suposições. Se você está à procura de uma tradição em que ninguém nunca vai dizer-lhe que o seu entendimento atual é fora de sintonia, Budismo não é isso. 
Ao pensar sobre este tema , o poema "Heaven - Haven : A Nun Takes the Veil ", de Gerard Manley Hopkins , escrito em 1864, continua aparecendo na minha cabeça. 
Aqui está: 
"Eu queria ir
Onde a primavera não falha,
Em campos onde não voam granizos afiados
E sentir lírios explodirem.
E eu pedi para estar
Onde tempestades não chegam,
Onde o crescimento verde está nos paraísos mudos,
E fora do balanço do mar." 
Este é um poema sobre fuga. Mas não há como escapar. Podemos todos desejar estar em algum lugar onde não há "granizos afiados", mas o fato é que levamos o granizo conosco, onde quer que vamos. Não há como fugir dele. E as comunidades monásticas podem ser tão conflituosas como as famílias, escolas e locais de trabalho. Em última análise, não há alternativa para chegar à raiz de onde a chuva está vindo, libertando-se dela. 
Irrealisticamente, alguns de nós vão para centros de dharma pensando que todo mundo lá para agir em conjunto, se dedicando a serem compassivos conosco. Mas o fato é que todo mundo está lá pelo mesmo motivo - dukkha, sofrimento. E você não lida com dukkha fingindo que ele não existe."


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Folhas no Caminho: Meditação na Vida Diária

Postado originalmente no Folhas no Caminho

Meditação na Vida Diária

Uma dica do prof. de dharma Godwin Samararatne a respeito da meditação na vida diária, traduzida pelo grupo de tradução do Centro Nalanda:
“Hoje espero ter uma oportunidade de fazer o bem para os
outros, de fazer os outros felizes e de me fazer feliz”.
"Eu gostaria de compartilhar alguns pensamentos com vocês sobre a integração da meditação na vida diária. Uma coisa é que temos de ser muito claros sobre nossas prioridades. Se dermos uma prioridade muito alta para a meditação e para a vida espiritual, então tudo flui a partir daí. Vai ser difícil para essa pessoa dizer: “Eu não tenho tempo para meditar”. Então, é preciso ser muito claro sobre esse ponto.


Algo que podemos tentar fazer quando acordamos de manhã é gastar apenas alguns minutos deitados na nossa cama ouvindo os sons ou sentindo o corpo. Talvez pudéssemos fazer um pouco de meditação de bondade amorosa pela manhã, apenas tendo este pensamento: “Hoje espero ter uma oportunidade de fazer o bem para os outros, de fazer os outros felizes e de me fazer feliz”. Isso pode levar cinco ou dez minutos no período da manhã, enquanto ainda estamos deitados.

Outra sugestão é tentar conscientizar-se das pequenas e rotineiras coisas que fazemos, como escovar nossos dentes: essa é apenas uma sugestão muito simples. Vocês podem fazer um pequeno esforço para escovar os dentes com conscientização. Nós todos sabemos que, quando escovamos os dentes, fazemos isso mecânica e habitualmente, enquanto na mente estamos em outro lugar. Este simples exercício de manhã, escovar os dentes de uma forma muito cuidadosa, vai nos ajudar a desenvolver a conscientização, e como um benefício extra, seus dentes vão brilhar na escuridão! Outro exercício simples é que ao tomar um banho de manhã, vocês podem simplesmente ficar lá por dois ou três minutos somente sentindo a água sobre o corpo, apenas estando com a sensação. É um belo modo de começar o dia".


Ninguém pode fazer isto por você.... Comecemos.


O caminho do Budha!



Fazer o bem sem olhar a quem.




Fazer o bem,
evitar o mal,
purificar a mente.

Este é o caminho do Budha!

domingo, 6 de outubro de 2013

Visitas ao coletivo de meus passados: Pictos, celtas...

Os pictos eram antigos habitantes da Escócia que estabeleceram seu próprio reino e lutaram contra os romanos na Britânia. Fontes romanas afirmam que os pictos teriam um poderoso reino com centro em Strathmore. Tiveram que enfrentar o advento de outros povos à Grã-Bretanha, entre eles os anglos da Úmbria do Norte; e os escotos procedentes da Irlanda, que formaram um reino na Dalriada.
As invasões nórdicas nos século VIII e IX parecem ter levado os pictos e escotos a se unirem, pois, em 843, Kenneth I MacAlpin, antes rei dos escotos, tornou-se também rei dos pictos. A partir de então, toda a Escócia reconhecia um só rei. Eles venceram os vikings e os anglo-saxões e criaram a Escócia.
Segundo um estudo efectuado pelo geneticista Bryan Sykes, os pictos seriam originários da península Ibérica.



A pintura se chama A jovem Filha dos Pictos (1585-88), de Jacque Le Moyne de Morgues'

Os Pictos como povo constituem um enigma. Alguns especialistas defendem que seriam uma tribo celta, outros, por outro lado, crêem tratar-se de um povo mais antigo. Os escritores romanos sempre os distinguiram dos celtas da Escócia, surpreendendo-se pela sua ferocidade e o hábito barbárico de se pintarem ou tatuarem. Até o nome "Pictos" não ajuda, na medida em que deriva da palavra latina picti, que significa simplesmente "pintados" - uma referência às suas pinturas ou tatuagens de guerra. O nome que os Pictos davam a si mesmo perdeu-se.
As descrições dos Pictos traçam um retrato de um povo pequeno, robusto mas delgado, pele amarelecida ou escura, de todo diferentes dos Gauleses, cuja pele mais clara, altura e constituição impressionavam os escritores romanos.

Falam de guerreiros E GUERREIRAS que lutavam nús com os corpos ricamente pintados e gravados de tatuagens. Falam de mulheres que eram CHEFES tribais.


O folklore escocês fala dos "pechs". Ao longo dos séculos estes foram tornando-se numa raça mágica de fadas e duendes, mas muitos especialistas crêem que se trata duma "memória popular" dos Pictos, o que indica que seriam vistos pelos Celtas da Escócia como uma raça separada e não apenas uma tribo separada. A juntar com as diferenças físicas, parece que os Pictos poderiam ser os últimos vestígios da população pré-Celtica da Grã-Bretanha, mas não há certeza.

Um tríscele ou triskelion, do grego τρισκέλιον [triskélion]; τρισκελής [trislelís], "com três pernas".

É um
 símbolo formado por três espirais entrelaçadas flexionadas de forma similar com a ideia de simetria rotacional e em movimento. É um símbolo que aparece em muitas culturas da Antiguidade, como a dos Celtas, Pictos, micênios ou dos lícios.
.Galeria de imagens de trísceles

Estas espirais são encontradas em vários artefatos e construções antigas, o seu significado reside na beleza e na simplicidade dos seus traços. Geralmente, representam o equilíbrio do universo dentro de nós, ou seja, o equilíbrio espiritual interior e a consciência exterior. Elas formam um padrão que começa pelo centro e se deslocam para fora ou para dentro, conforme a sua configuração. Esses movimentos podem ser observados no sentido horário ou anti-horário. As espirais com movimentos no sentido horário estão associadas ao Sol e a harmonia com a Terra ou movimentos que representam à expansão e à atração, em relação ao centro.


Por outro lado, as espirais com movimentos no sentido anti-horário estão associadas à manipulação dos elementos da natureza e aos encantamentos que visam à interiorização e à transmutação de energias, assim como a proteção. Lembrando que entre os celtas, mover-se em torno de um objeto em sentido anti-horário era considerado como mau agouro.Os antigos túmulos megalíticos na Irlanda, são exemplos maravilhosos de espirais, anterior aos celtas, conhecidos como "As Espirais da Vida", que representam o ciclo da vida, da morte e do renascimento.

Na cultura celta é dedicado à Manannán Mac Lir, o Senhor dos Portais entre os mundos. Tudo indica que o número três era considerado sagrado pelos Celtas, reforçando o conceito da triplicidade e da cosmologia celta de: Submundo, Mundo Intermediário e Mundo Superior.

O Triskle também é conhecido por triskelion ou triskele, tríscele, threefold ou espiral tripla, e possui dois grandes aspectos principais de simbolismo implícitos em sua representação, que são:

  • Simbologia ligada ao constante movimento de ir, representando: a ação, o progresso, a evolução, a criação e os ciclos de crescimento;
  • Simbologia ligada às representações da triplicidade: 
Corpo, Mente e Espírito;

Passado, Presente e Futuro;
Primavera, Verão e Inverno.

Os nós celtas são variantes entrelaçadas de símbolos do mundo pré-céltico, germânico e céltico. O número três nos liga aos reinos do Céu, da Terra e do Mar – elementos que compunham o mundo Celta – e por sua vez, formavam os Três Reinos, vistos da seguinte forma:

- O Céu, que está sobre nossa cabeça e nos oferece o Sol, a Lua, as estrelas e as chuvas que fertilizam a terra. Representa a luz, a inspiração (o fogo na cabeça) e os Deuses da criação.
- A Terra, que está sob nossos pés e nos dá o alimento, nos abriga e faz tudo crescer - são as raízes fortes das árvores. Representao xorpo, o solo, a raíz e os Espíritos da Natureza.
- O Mar é a água que está em nós, representa o Portal para o Outro Mundo, que sacia a sede e nos dá a vida - sem a água tudo perece e morre. Representa os seres feéricos, a água e os Ancestrais.

Sendo os três elementos interdependentes, onde cada um possui seu significado próprio, mas que dependem um do outro para continuar existindo, permitido assim, que o nosso mundo também exista em perfeita interação. 

Os três reinos representam locais onde há vida, e o fogo é a alma que caminha entre eles. Além disso, cada reino era relacionado a um grande caldeirão sustentado por três pernas, que por sua vez, possuíam três atributos diferentes. Apesar de não haver um mito de criação como outras culturas indo-europeias, havia entre eles a ideia dos Três Mundos, como citamos anteriormente, descritos como:

- O Mundo Celestial ou Superior: onde as energias cósmicas como o Sol, a Lua e o vento se movem. Associado aos Deuses da criação.
- O Mundo Intermediário ~ Terra média: onde nós e a natureza vivemos. Associado aos espíritos da natureza.
- O Submundo: onde os ancestrais e os seres feéricos vivem. Associado ao Outro Mundo.

Portanto, as três pontas do Triskle eram associadas aos Três Reinos ou aos Três Mundos e ao fluxo das estações. E, numa versão moderna, às três fases da Lua vistas no céu: Crescente, Cheia e Minguante. Com as mesmas características observadas nas espirais, seu movimento a partir do centro, pode ser descrito como no sentido horário ou anti-horário. Simbolicamente, o sentido horário: representa a expansão e crescimento e o sentido anti-horário: a proteção e o recolhimento."Tendo em consideração o número três, símbolo sagrado dos Celtas, o qual tanto se apresenta com a forma de Tríade como de Triskle, a tripla espiral que, girando à volta de um ponto central, simboliza por excelência o universo em expansão.

De um modo geral, este símbolo está associado ao crescimento pessoal, ao desenvolvimento humano, o fluir e a expansão da consciência física e espiritual.

texto de Rowena Arnehoy Seneween 

The 13th Warrior (O 13º guerreiro, no Brasil) é um filme norte-americano de 1999, dirigido por John McTiernan, baseado no romance "Eaters of the Dead", de Michael Crichton. Inspirado pela tradução para Inglês do relato real de Ahmad ibn Fadlan das suas viagens para cima do rio Volga, no século X. O enredo do filme, é, contudo, em grande medida uma adaptação moderna do épico anglo-saxão Beowulf.

O filme esforça-se por atingir uma atmosfera histórica, incluindo o uso de diálogos em Árabe, Sueco, Norueguês, Dinamarquês, Grego e Latim. O actor norueguês Dennis Storhøi co-protagonizou a película como Herger, enquanto o actor sueco Sven Wollter interpretou um velho chefe viquingue. A veterana actriz norueguesa Turid Balke teve também um pequeno mas proeminente papel ao interpretar a feiticeira, assim como a actriz sueco-norueguesa Maria Bonnevie como Olga, a criada.
Bran Mak Morn ~ O último rei picto.


 






Bran Mak Morn é um herói fictício de várias histórias de Robert E. Howard (criador de Conan - o bárbaro).

Nas histórias, ele é o último rei da última tribo dos pictos . Ele é um descendente linear direto de Brule Lança-Slayer, companheiro do
rei 
Atlante Kull, a quem ele consegue convocar num ritual mágico, para lutar com ele em "Kings of The Night", uma novela publicada pela Weird Tales em Novembro de 1930.

Bran Mak Morn é o líder de uma cultura sendo extinta pelo ocidentalismo, um pobre reflexo do que uma vez que foram e está profundamente consciente de seu caminho inevitável a extinção, embora, como todos os personagens Howard ele escolha lutar contra isso, em vez de sucumbir. Seus principais inimigos são os romanos e ele faz uma aliança profana para derrotá-los em "Worms of the Earth".