domingo, 29 de maio de 2016

Comida.. o assunto mais importante do mundo.

Eu sou um cozinheiro amador. Um culinarista doméstico. Não sou um Gourmet se você pensa Gourmet como um ideal cultural associado ao haute cuisine, mas, apenas ,"apenas", se você entende Gourmet como o ideal cultural associado com a arte culinária da boa comida e bebida. E comida boa deve ser a comida que te dá prazer... Que te alimenta os sentidos, antes de nutrir o corpo.

Aprendi a cozinhar com minha falecida mãe.

Ela fazia questão de me mostrar como fazia cada prato que ela gostava de comer... e ela gostava muito de comer... Então, para ela, cozinhar tinha que ter um resultado PRAZEROSO sempre. Satisfazer da mesma maneira que o carinho de um abraço precisa ser agradável. Assim como beijar precisa ser gostoso. Não era possível fazer comida se não fosse para dar prazer. Então é melhor não fazer.

Então eu cozinho desde meus 13, 14 anos na intenção de fazer uma comida sedutora. 

Minha mãe trabalhava muito. Era Assistente Social, e entre as muitas obrigações da profissão estava uma extensa carga horária e horas e horas de relatórios e laudos técnicos. Quando ela saia de manhã deixava uma rotina de passo a passo para eu seguir em recados deixados em um quadro negro e em bilhetes... Até hoje, aos 44 anos tenho um quadro destes na minha cozinha. Uso para outros fins, como deixar lembretes de coisas que tenho de fazer ou telefones de pessoas que ainda não foram para a agenda eletrônica. Mas olhar para meu quadro de recados e meu caderno de receitas escrito a mão com minhas domésticas experiências culinárias eu lembro de minha mãe e o quanto devo a esta mulher maravilhosa que estudou e trabalhou incansavelmente e que queria que eu comesse comida SABOROSA. Porquê a vida já é foda de mais para se comer comida ruim.

Tudo isto me veio em mente assistindo o documentário da Netflix "Cooked", do jornalista Michael Pollan.

Documentário é palavra feia e remete a coisas chatas que somos obrigados a assistir em aulas de ciências, mas esse não é o caso.

Michael Pollan, jornalista americano e ativista da boa alimentação e protagoniza e nos guia na série inspirada no livro "Cozinhar, Uma História Natural da Transformação", dele mesmo, e é dividida em quatro capítulos: água, terra, fogo e ar.

Eu não conhecia o Livro nem Pollan.  Ele além de jornalista é professor na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

No Brasil existem três livros dele:

- "Regras da Comida" Editora Intrínseca, 2010, trata-se de um pequeno manual prático para comer melhor – do ponto de vista do prazer e da saúde;

 - "O Dilema do Onívoro" Editora Intrínseca, 2007. É uma investigação jornalística sobre como se come nos EUA, que desvenda elos da cadeia alimentar – da monocultura do milho à forma como ela se articula com a indústria do petróleo. É difícil, ao fim da leitura, não concordar que é preciso repensar – e, por que não?, revolucionar a relação com a comida. Segue atual.

- "Em Defesa da Comida" Editora Intrínseca, 2008. O livro é um manifesto contra a comida ultraprocessada. Ele argumenta que a comida de verdade veio perdendo espaço para produtos bolados pela indústria para vir cheios de “nutrientes” – pense em ômega 3. É também neste livro que ele sintetiza, de forma a fazer parecer óbvio, como deveríamos nos alimentar: “Coma comida. Não em excesso. Principalmente vegetais”. 

Sugiro assistirem o documentário e procurar os livros do autor. Mas mais importante, sugiro que dediquem um tempo a FAZER comida. É terapêutico. E pode ser MUITO prazeroso.


https://www.netflix.com/br/title/80022456